PF combate quadrilhas que fraudavam previdência social no Rio

Os rombos nos cofres público chegavam a R$ 7,5 milhões por mês. Dos 33 mandados de prisão, 31 já foram cumpridos

Daniel Gonçalves, especial para o iG |

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira a operação Teníase para combater quadrilhas que obtinham benefícios irregulares nas agências da previdência social na cidade do Rio de Janeiro e nos municípios de Niterói, Itaboraí e Teresópolis. Dos 33 mandados de prisão preventiva, 31 já foram cumpridos, além dos 81 de busca e apreensão. R$ 40 mil foram encontrados casa de um único servidor do INSS.

A ação é realizada com apoio do Ministério Público Federal e da Previdência Social após dois anos de investigações. O Juiz Federal Vlamir Costa Magalhães, da 4ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, expediu os mandados de prisão contra servidores, advogados e despachantes.

Segundo a PF, os rombos nos cofres chegavam a pelo menos R$ 7 milhões por mês.O Ministério Público Federal denunciou 45 pessoas pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos e estelionato. Pelo menos 55 foram investigados no total.

De acordo com a Previdência Social, servidores do órgão aceitavam o pagamento de propina, geralmente três vezes o valor do benefício previdenciário, em troca da concessão. Em alguns casos, as irregularidades envolviam o uso de empresas de fachada por meio das quais os fraudadores simulavam o preenchimento dos requisitos para o deferimento da aposentadoria. As fraudes também alcançavam os benefícios da espécie LOAS, auxílio-doença e pensão por morte.

"Em alguns casos, as pessoas eram obrigadas a pagar uma espécie de pedágio para conseguir o benefício mesmo tendo direito", afirmou o procurador da República Carlos Alberto Aguiar.

Mais de mil benefícios irregulares foram verificados ao longo das investigações. Pelo menos quadro quadrilhas diferentes cometiam os delitos. Em Niterói, o crime era praficado no bairro de Fátima, e na capital fluminense em Copacabana e em Cosme Velho, na zona sul.

A primeira fraude descoberta aconteceu no posto de Raimundo Correa, em Copacabana, em uma concessão de auxílio doença. Até para tirar cópias de processos havia cobrança de propina. De acordo com o procurador, a taxa girava em torno de R$ 100.

A Polícia Federal cumpre os mandados de prisão e de busca e apreensão com 281 agentes em 75 viaturas, além do apoio de 16 servidores do Ministério da Previdência Social. A operação foi batizada de Teníase em alusão à doença causada pela parasita Tênia, que absorve os nutrientes absorvidos pelo humano hospedeiro.

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