Perfil psicológico de atirador ficará pronto dentro de 30 dias

Cartas, manuscritos e relatos das pessoas que conviviam com Wellington Oliveira servirão para traçar perfil

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Um psicólogo forense do Instituto Médico Legal (IML) analisa duas cartas e alguns manuscritos deixados por Wellington Oliveira, de 23 anos, para montar um perfil do atirador que matou 12 crianças na última quinta-feira (7) na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio. De acordo com a Divisão de Homicídios da Polícia Civil, o laudo psicológico deve ficar pronto em 30 dias e vai confirmar ou não se Wellington sofria de algum transtorno mental.

AE
Imagem do atirador Wellington Menezes de Oliveira

Além das cartas e dos manuscritos, relatos de pessoas que conviveram com o atirador em diferentes fases da vida também vão ajudar o psicólogo a traçar o perfil de Wellington. Os manuscritos encontrados pela polícia na casa do atirador em Sepetiba, zona oeste do Rio, mostram a admiração dele pela religião islâmica e por atos terroristas. “Umas 4 horas do dia passo lendo o Alcorão. (...) Algumas vezes medito no 11/09”, escreveu em um dos documentos.

Em outros trechos, o atirador cita nomes de pessoas que seriam estrangeiras. “Fui muito bem recebido e houve uma grande comemoração. O Abdul teve uma conversa comigo e me revelou que conheceu meu pai e que chegou a comprar uma passagem para um dos voos, mas não fazia parte do plano”.

Abdul volta a ser citado em outra parte do manuscrito ao lado do nome de outro homem. “Tive uma briga com Abdul e descobri que o Phillip usava meu PC para ver pornografias. Com respeito ao Phillip eu já esperava isso (...) mas do Abdul eu não esperava isso. Nos dávamos (sic) bem e ele sempre foi flexível (...) dessa vez ele foi muito rígido”.

Segundo os manuscritos, a briga com Abdul teria acontecido por causa de uma garota. “Resolvi falar sobre a menina que me convidou a ir à igreja dela e, antes de eu terminar, ele (Abdul) já foi dizendo que era para eu cortar ela (sic) logo no início ao invés de ouvi-la”.

A relação de Wellington com a família também é abordada nas cartas escritas por ele. “Meus pais por não seguirem a religião com devoção sempre desconfiam de mim (...) sei que não sou perfeito. Já menti muitas coisas por criancice (...) já errei com minha família, mas eu mudei com o Alcorão e eles não confiam em mim...”.

Uma pessoa - cujo nome não é citado - é abordada na última parte dos manuscritos encontrados pela Polícia Civil. “Ultimamente ele está fazendo muitas coisas para me prejudicar. Com certeza ele está com raiva porque eu rejeitei ele (sic). Mas eu vou me conter. Pretendo trabalhar para sair desse estado ou talvez irei direto ao Egito”.

Investigação

Mesmo com as cartas encontradas, a polícia descarta, no entanto, a possibilidade de uma suposta ligação do atirador com uma rede terrorista. “Tudo o que foi averiguado leva a crer que não existe ligação com grupos extremistas”, disse um policial da Divisão de Homicídios. Ainda segundo a Polícia Civil, as pessoas citadas por Wellington nos manuscritos, Abdul e Phillip, seriam criações da mente dele.

Uma reconstituição do crime na Escola Municipal Tasso da Silveira também foi descartada pela polícia. De acordo com a Divisão de Homicídios, esse procedimento é adotado quando há dúvida sobre a autoria de um crime, o que não acontece com o fato da última quinta-feira.

Ainda como parte da investigação, nos próximos dias, o instrutor de tiros Wilson Saldanha , que teria sido procurado por Wellington antes de realizar o ataque, deverá ser convocado a depor. Saldanha trocou emails com o atirador entre os dias 4 e 12 de novembro do ano passado. Ao solicitar o RG e o CPF de Wellington, ele teria recuado.

"O fato de o Wellington não querer passar os seus dados para eu checar se ele tinha antecedentes criminais é um indício de que ele estaria mal-intencionado", disse o instrutor em entrevista ao iG . Nesta segunda-feira, quatro estudantes baleados durante o ataque tiveram alta hospitalar .

Leia na íntegra os manuscritos encontrados pela polícia na casa de Wellington:

Manuscrito 1
Manuscrito 2
Manuscrito 3
Manuscrito 4
Manuscrito 5
Manuscrito 6
Manuscrito 7
Manuscrito 8
Mansucrito 9
Manuscrito 10
Manuscrito 11

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