Parentes e amigos se despedem de cinegrafista morto em operação policial

"Ele morreu fazendo o que amava", disse irmão de Gelson Domingos

Anderson Ramos, especial para o iG |

Pedro Kirilos/ Agência O Globo
Repórteres se abraçam no velório do cinegrafista Gelson Domingos da Silva
Parentes e amigos se despedem nesta segunda-feira (7) do cinegrafista Gelson Domingos da Silva , de 46 anos, no velório realizado no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio. O repórter cinematográfico da TV Bandeirantes morreu na manhã de domingo (6) após ser atingido por um tiro no peito enquanto fazia a cobertura jornalística de uma operação policial na Favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste da capital fluminense.

Assista: Veja momento em que cinegrafista é baleado em operação policial

O caixão com o corpo de Gelson está coberto com uma bandeira do Vasco da Gama, time de futebol para o qual ele torcia. Algumas coroas de flores foram enviadas por emissoras de TV e redações de jornais em homenagem ao cinegrafista.

Profissionais de imprensa que eram amigos de Gelson realizaram uma breve oração ao redor do caixão e, Ernani Alves, repórter da TV Bandeirantes que acompanhava o cinegrafista no momento em que ele foi baleado, pediu a palavra. “O Exército não permite que se use o colete ideal. Se permitisse, ele estaria vivo”, disse, muito emocionado.

Segundo o jornalista, seu colega de trabalho estava diferente ontem de manhã. “Ele sempre fazia uma oração quando antes de sair da emissora. Ao chegarmos à favela, o Gelson ficou mudo e olhando para o chão. Quando entramos na comunidade, nossa comunicação foi somente por conta da segurança no local”, relembrou Alves. “Foram muitos tiros. Poucas vezes, presenciei situação gual. Temos que repensar essas coberturas”, avaliou.

O diretor do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, Rogério Marques, declarou que as empresas de comunicação devem desestimular os profissionais a estarem na linha de frente. “Não queremos novos cadáveres”.

Diretor de jornalismo da Band-Rio, Rodolfo Schneider disse que Gelson Domingos era um exímio profissional, que estava sempre sorridente e elogiando suas pautas. “Perdemos um grande profissional e um grande amigo”, afirmou.

Ricardo Silva, irmão do cinegrafista morto, contou que Gelson gostava muito de sua profissão. “Ele começou como motorista e depois virou repórter cinematográfico, especialista em operações policiais. Era um dos melhores. Ele morreu fazendo o que amava”. O cinegrafista deixa três filhos, dois netos e esposa.

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