Parentes e amigos fazem carreata para os 12 “anjos” de Realengo
Homenagem durou 2h30 e contou com 400 pessoas, passando em frente ou perto das casas das vítimas do massacre ocorrido há um ano
No dia em que o maior massacre em uma instituição de ensino brasileira completa um ano, famílias e amigos das 12 crianças mortas na Escola Municipal Tasso da Silveira, em 7 de abril de 2011, participaram da “Carreata da Paz”, que reuniu cerca de 400 pessoas (de acordo com a Guarda Municipal) em Realengo, zona oeste do Rio. O objetivo da carreata, que durou cerca de 2h30, era passar em frente, ou nas proximidades, das residências das vítimas de Wellington Menezes, ex-aluno da escola e autor dos assassinatos. Cada vez que isso acontecia, todos os participantes aplaudiam. Emocionados, parentes das vítimas falaram sobre a dor que persiste até hoje.
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Também esteve na carreata Andreia Tavares, mãe de Thayane Tavares, uma das sobreviventes do massacre. Ela completará 15 anos em julho e ficou paraplégica por conta dos tiros que recebeu. “Doze anjos que se foram, um momento único. Fico feliz em estar representando esses 12 anjos. Outros pais abraçam a Thayane como se ela fosse filha deles também. No momento a Thayane luta para voltar a andar, luta por um tratamento digno e adequado”, reclamou Andreia.
Ana Paula Oliveira dos Santos, tia de Karine, morta aos 14 anos, narrou a dificuldade de passar em frente à escola. Ela recordou do seu último contato com a sobrinha, no seu aniversário, quando recebeu “o melhor presente que poderia receber”. “A dor é a mesma, a saudade é cada vez maior. Passar em frente à escola é uma dor absurda. Fico imaginando que ela chegou com vida e saiu daqui morta. Naquela situação, eu não acreditava no que estava acontecendo. A última lembrança que tenho da Karine foi do meu aniversário. Ela sempre foi muito reservada, mas no meu aniversário ela fez um cartaz dizendo: ‘Tia, eu te amo’. Ironicamente, foi o presente final, o melhor presente que poderia receber”.