Parada Gay em Copacabana pede luta contra homofobia

Cerca de 800 mil pessoas participam da 15ª Parada do Orgulho LGBT no Rio de Janeiro

iG Rio de Janeiro

A praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, é palco neste domingo (14) da 15ª Parada de Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). O desfile, do posto 6 ao posto 2 da orla, tem como tema a luta pela criminalização da homofobia, proposta no projeto de lei 122/06, em tramitação no Senado. O projeto sugere que a discriminação a homossexuais seja tratada pela sociedade como crime.

A secretaria municipal de Turismo aguarda um público de 1,2 milhão de pessoas para o evento. Mas no ano passado, quando se esperava aproximadamente o mesmo número de participantes, apenas 200 mil compareceram, porque choveu durante o dia. O clima de hoje também pode azedar a festa: nuvens negras cobrem o Rio - e Copacabana - nesta manhã de domingo.

Camisinhas, gibis e folhetos sobre a prática de sexo seguro serão distribuídos durante o evento deste domingo em Copacabana. A famosa bandeira do Arco-Irís, que tradicionalmente se estende pela pista da orla, terá 120 metros de comprimento por 10 metros de largura – a maior do país segundo os organizadores – e será conduzida por voluntários e participantes do desfile em todo o trajeto da Parada.

Três tendas espalhadas pela orla, de 9h às 18h, serviços de vacinação contra hepatite B e testes anti-HIV. A pista da Avenida Atlântica junto à praia, sentido Leme, estará interditada durante o evento, como já ocorre aos domingos.

“É através de grandes eventos como a 15ª Parada de Orgulho LGBT que nós da Prefeitura fazemos questão dar esse apoio como comprovação de que o Rio de Janeiro tem, por vocação natural, atrair visitantes de todas as tribos e sediar eventos de todos os portes. Estamos investindo no atendimento ao público LGBT desde do início do ano passado”, afirma o secretário de Turismo e Presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, em nota à imprensa.

Fim da homofobia

Fundador da Parada do Orgulho Gay, o superintendente de Direitos Individuais e Coletivos do governo do Rio de Janeiro, Claudio Nascimento, ressaltou que são necessários mais avanços legislativos para consolidar a luta contra a discriminação de gênero no País. “É preciso avançar agora e transformar essa visibilidade que conquistamos em vitórias nos direitos civis. É fundamental a aprovação da lei para tornar crime a prática de discriminação contra homossexuais e também o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo.”

Uma questão que continua preocupando é a violência contra pessoas por questão de gênero, segundo Nascimento. “Um homossexual morre assassinado por dia no Brasil. De julho até agora, mais de 1,5 mil homossexuais sofreram discriminação, segundo os dados registrados no Disque Cidadania Homossexual [0800 023 4567].” Apesar das dificuldades, ele reconhece que houve avanços nas lutas da comunidade lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT) nos últimos anos. “Quinze anos atrás a gente sequer era recebido em uma delegacia de polícia nem tinha esse tema debatido nos governos e nos legislativos. Hoje o assunto é parte da agenda pública brasileira, mostrando que a comunidade gay, de lésbicas e travestis conquistou um espaço concreto de debates.”

O retrocesso nos debates políticos da última campanha eleitoral, em relação à discriminação contra união de pessoas do mesmo sexo, foi criticado pelo presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira.

“A campanha eleitoral sofreu pressões muito grandes de setores conservadores ligados a algumas religiões, o que é muito perigoso, pois vai contra a laicidade do estado.” Moreira afirmou que são esperadas conquistas definitivas para o governo da presidenta eleita, Dilma Rousseff. “Com certeza avançamos muito nas políticas públicas, mas estamos ainda muito distantes de conseguir uma igualdade de direitos no Brasil. A gente precisa trabalhar com a sociedade para que ela possa acolher a todos, independentemente de sua raça, credo e sexualidade. As duas bandeiras-chave são a união civil e a criminalização da homofobia. A gente não admite ficar mais quatro anos sem essas reivindicações garantidas.”

* Com Agência Brasil

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