Para associação da Rocinha, 'não dá para dizer' se expulsão do tráfico é boa

Presidente da entidade, Léo Lima afirma que traficantes não oprimiam moradores e que se Estado não entrar com serviços, ocupação não fará diferença

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Raphael Gomide
Para Léo (de amarelo), é difícil dizer se saída do tráfico é boa para a Rocinha
O presidente da associação de moradores da Rocinha, Leonardo Lima, o Léo, afirmou ao iG que “não dá para dizer” se a ocupação da favela e a saída do tráfico de drogas foram boas para a comunidade. Cinco dias depois da tomada do território, segundo ele ainda não é possível avaliar se a mudança é positiva.

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O iG perguntou a Léo se a ocupação da polícia foi boa para a comunidade. “Não dá para dizer se é bom, porque não teve ocupação, UPP. Ninguém sabe, é difícil fazer a avaliação, em um momento desses. Não veio UPP, o que tem é uma incursão do Bope... Se a UPP vier e os serviços do Estado não, não vai fazer diferença”, afirmou.

Para ele, “não tem como avaliar” a ocupação policial. “É uma coisa nova e ninguém sabe o que vai acontecer”.

A reportagem perguntou diretamente ao presidente da associação se, em sua opinião, a expulsão dos traficantes tinha sido uma coisa positiva para a Rocinha. “Ninguém sabe se é ruim ou bom. A Rocinha funciona 24h, sempre funcionou, ninguém se preocupa se tem traficante.”

Raphael Gomide
Na opinião de Léo, Rocinha não era oprimida pelo tráfico e todos sempre tiveram o direito de ir e vir
Léo é frequentemente acusado por adversários políticos de ter o apoio do tráfico de drogas, mas contesta essa afirmação. “Sou um cidadão responsável e nunca tive envolvimento com nada. Jamais me envolvi com traficante. Vi aquele garoto (Nem, chefe do tráfico) jogar bola e o conhecia de cumprimentar, mas não tinha amizade com ele. Conhecia, mas amizade nunca tive”, afirmou.

Na favela, ainda existe um clima de tensão e medo de que os traficantes retornem e retaliem quem apoiou a polícia.

Questionado pelo iG se havia opressão do tráfico aos moradores da favela, Léo disse que não e minimizou.

“A Rocinha funciona 24h, sempre funcionou. Sempre tivemos o direito de ir e vir. Nunca ninguém deixou de sair de casa por causa de ninguém”, afirmou.

Em seguida, virou-se para uma moradora que estava ao seu lado e lhe perguntou: “Você já deixou de sair de casa por causa do tráfico?” Ela respondeu que não.

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