`Pânico é loucura generalizada¿, diz psiquiatra

Especialistas afirmam que população não deve entrar na onda de boatos nem ceder à sensação de insegurança

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Na manhã desta quarta-feira (24), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pediu calma e serenidade à população, e apelou aos moradores do Estado para que não alterem suas rotinas. Mesmo assim, empresas decidiram liberar os funcionários mais cedo, e boatos de arrastão fizeram com que comerciantes fechassem as portas. Apesar dos registros de violência, especialistas afirmam que o clima de pânico só interessa aos criminosos.

“Criar o caos é o que eles querem”, afirma o psiquiatra forense (especializando em crimes) Guido Arturo Palomba, da Associação Paulista de Medicina. “Os bandidos tentam mandar para as autoridades o seguinte recado: ‘comigo ninguém pode’. É uma forma de desafio, de falar ‘quem manda aqui sou eu’. O que, no fundo, é uma atitude contrária a ele, porque faz a polícia recrudescer”, diz o especialista.

De acordo com Guido, o momento atual pede compreensão com o sentimento de medo entre as pessoas. “O pânico é causado por acontecimentos reais”, ele destaca. “Carros incendiados a qualquer hora do dia ou da noite, arrastões, são vivências traumáticas e dolorosas”.

O psiquiatra também chama a atenção para a consequência imediata após esses episódios: “As pessoas adoram a conduta da evitação, se trancam em casa”. Palomba ressalta que neste momento não há uma fórmula mágica para ensinar as pessoas a atravessarem essa fase.

O psiquiatra Luiz Alberto Py, no entanto, defende que os moradores do Rio enfrentem os acontecimentos. “O pânico é uma loucura generalizada, isso pega”, ele diz. “A multidão age por instinto, ela não pensa. A gente corre o risco de ficar um rebanho não pensante, que corre de bandidos que não existem”, avalia Py.

Ele ainda defende que as pessoas tentem manter a rotina. “Ter medo do que é provável é normal e correto. A pessoa que não sabe nadar, por exemplo, e entra no mar, tem que ter medo. Agora, ter medo daquilo que é apenas possível é paranóia”, diz o psiquiatra.

“Fico mais aliviado”, diz trabalhador liberado mais cedo

Morador de Japeri, na Baixada Fluminense, o técnico de seguro Paulo Roberto Torres, 24, foi liberado do trabalho às 16h, duas horas antes do fim do expediente na empresa. “Fico mais aliviado, porque se acontecer alguma coisa no trem, só terei a Rodovia Presidente Dutra para chegar em casa. E lá está tendo ataques”, ele explica. “Com o dia ainda claro é mais fácil traçar um plano de fuga, caso aconteça algum problema”, ele diz.

No centro, a estudante de administração Luana Anselmo Carvalho, 26, também foi liberada às 16h, uma hora antes do fim do expediente. Moradora de São Gonçalo, na região metropolitana, ela também se disse aliviada. “Estava no trabalho quando soube de um ataque perto da casa da minha mãe, em São Gonçalo. Foi melhor sair mais cedo, me senti mais segura”, disse ela, que trabalha na Ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde.

A Universidade Gama Filho também liberou os alunos mais cedo, por conta das novas ações violentas. Em nota publicada no site da instituição, a direção da entidade informava que as atividades seriam encerradas às 17h “devido aos acontecimentos na cidade”. As provas que seriam realizadas nesta quarta-feira foram remarcadas para o dia 1º.

Para evitar o clima de pânico, a empresa Metrô Rio divulgou uma nota afirmando que os trens das linhas 1 e 2 funcionavam normalmente. “A empresa confirma que vai operar em horário regular, das 5h até a meia-noite”, dizia o informativo.

* Colaborou: Carmen Moreira

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