Pai de Joanna Cardoso é indiciado por tortura

Criança morreu após ficar internada quase um mês com suspeita de meningite; maus-tratos teriam agravado quadro clínico

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

O titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Luiz Henrique Marques, indiciou o técnico judiciário André Rodrigues Marins pelo crime de tortura contra a menina Joanna Cardoso, sua filha de 5 anos. A criança morreu no dia 13 de agosto após ficar quase um mês internada em um hospital da zona sul do Rio, com suspeita de meningite.

Joanna também tinha pelo corpo marcas que lembravam queimaduras e arranhões. Nesta semana, foi confirmada através de um laudo do IML (Instituto Médico Legal) que a morte ocorreu em decorrência de meningite viral, contraída por herpes. De acordo com o Instituto, os maus-tratos teriam agravado o quadro.

Em coletiva na tarde desta sexta-feira (15), o delegado afirmou que concluiu o inquérito após escutar cerca de 50 pessoas, entre parentes e vizinhos que tiveram contato com Joanna. Além dos depoimentos, o exame de corpo de delito que confirmou os maus-tratos sofridos pela criança foi determinante para o indiciamento.

“O laudo aponta características que nos levam a crer que se trata um crime de tortura. Há fortes indícios de que essa criança era tratada de forma desumana”, disse o delegado. Marques, entretanto, não pôde revelar exemplos dos maus-tratos sofridos por Joanna em virtude do sigilo do inquérito.

Na semana passada, o pai da menina disse que chegou a amarrar a filha com fita crepe, durante uma noite, para conter convulsões da criança. Para o delegado, esse seria um indício de tortura. Segundo Marques, o técnico judiciário não irá responder pelo crime de maus tratos e, sim de tortura, devido a uma avaliação feita.

Agência O Globo
Joanna Cardoso, em foto tirada pelo celular da mãe
“No crime de maus tratos há uma vontade de corrigir, o que não era o caso. Não se pretendia corrigir e sim aplicar a violência por si só”, avaliou.

O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, que irá avaliar o pedido e oferecer ou não denúncia à Justiça. Caberá à Justiça pedir a prisão de Marins. Se for condenado, o pai de Joanna poderá pegar de 2 a 8 anos de prisão, em regime fechado.

Entenda o caso

Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, era alvo de uma disputa judicial. A menina estava sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins, desde o dia 26 de maio.

Ele conseguiu a autorização da Justiça após um processo em que alegava que a ex-mulher, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, o impedia de ver a filha. Joanna deveria ficar com o pai por 90 dias, pois teria sido vítima por parte da mãe de alienação parental – quando um dos genitores difama o outro para o filho após a separação.

Sob a guarda do pai, Joanna deu entrada no Hospital RioMar – no dia 17 de julho – com quadro de convulsões, hematomas nas pernas e marcas de queimadura – aparentemente feita por cigarros – nas nádegas e no tórax. Após tomar um medicamento, e ser atendida por um falso médico , a criança foi liberada desacordada.

Estranhando o fato de a filha não ter recobrado a consciência, André Marins levou a criança para o Hospital das Clínicas de Jacarepaguá e, de lá, seguiu em coma para a clínica Amiu, em Botafogo, na zona sul do Rio. A menina deu entrada na unidade no dia 19 de julho e morreu no dia 13 de agosto.

A polícia ainda não possui pistas do paradeiro do falso médico que fez o primeiro atendimento à Joanna. Ele foi identificado como o estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Silva, de 33 anos. A médica que o contratou, Sarita Fernandes Pereira, que era coordenadora da Pediatria do Hospital RioMar, permanece detida.

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