Paes: 'Não há desapropriação sem a devida remuneração'

Prefeito do Rio fala sobre protesto em sorteio das eliminatórias da Copa e contesta reclamações sobre remoção de moradores no Rio

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Após a assinatura do contrato para que o Rio receba o International Broadcast Center (IBC) da Copa do Mundo de 2014 , com presença do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e da CBF, Ricardo Teixeira , o prefeito do Rio, Eduardo Paes, concedeu entrevista coletiva e foi questionado sobre uma outra faceta da competição: as remoções de moradores nas áreas onde há obras de infra-estrutura, como os BRTs. Ele afirmou que essas intervenções são justamente para beneficiar a população mais pobre da cidade e que todas as desapropriações estão sendo muito bem remuneradas.

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Eduardo Paes, Joseph Blatter e Sérgio Cabral no evento desta sexta-feira
Indagado sobre o protesto de moradores afetados previsto para o sorteio das eliminatórias da Copa de 2014 neste sábado, na Marina da Glória, ele disse: “Protestar tem sempre alguém que vai protestar. Não tem nenhuma remoção para a Copa. A Transoeste não tem nada a ver com a Copa, não foi obrigação da Fifa, é uma obra de transporte para a população mais pobre da cidade. Estamos muito orgulhosos de fazer esses BRTs. Remoção não tem, você tem desapropriações muito bem remuneradas. É principalmente para beneficiar a população pobre. Não tem remoção, desapropriação, sem o devido processo, a devida remuneração. Será um benefício para as pessoas da cidade se locomoverem. As pessoas levam de 3h a 4h para se mover pela cidade, passarão a levar meia-hora”.

A afirmação vai de encontro ao que foi ouvido de moradores das zonas afetadas em audiência pública no Ministério Público do Rio, no dia 21 de junho , quando chegou a se dar conotação nazista à marcação de casas com a sigla da Secretaria Municipal de Obras (SMH). Na ocasião, o sub-procurador geral de Justiça de Direitos Humanos e Terceiro Setor, Leonardo de Souza Chaves, representando o Ministério Público Federal, fez a comparação da marcação das casas cariocas com a das moradias de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Outra reclamação recorrente na audiência foi o baixo valor das indenizações pelas remoções.

Paes disse também esperar que São Paulo se confirme como sede da abertura da Copa, decisão que será anunciada em outubro, após a reunião do comitê executivo da Fifa, e não vê problemas em gastar novos milhões para trazer o sorteio final, que define as chaves do Mundial, para o Rio. Para o sorteio das eliminatórias, foram gastos R$ 30 milhões, divididos igualmente entre Prefeitura e governo estadual. Apesar disso, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, disse na quinta-feira, em café da manhã com jornalistas, preferir que outra cidade fique com o sorteio final para não concentrar tudo apenas no Rio, já que, a princípio, a Copa do Mundo de 2014 terá 12 sedes.

“Estamos trabalhando para isso, o Rio quer o papel de protagonista. A Copa é uma oportunidade de divulgarmos nosso país e ganharmos economicamente com isso. A prefeitura disputou com outras cidades esse evento (sorteio das eliminatórias), porque é muito importante, traz muito mais do que os recursos que estamos colocando. Se a gente fosse buscar essa publicidade para o Brasil, se gastaria muito mais. A gente calcula em torno de R$ 120 milhões, mas é muito mais do que isso. Acho que a abertura da Copa tem de ser em São Paulo. E vamos disputar com outras cidades a possibilidade do sorteio final. Não sei se estarei aqui em 2013, mas acho que é muito importante que o próximo prefeito tenha essa mentalidade”, disse Paes.

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