Padrasto é denunciado por tortura a enteado de cinco anos no Rio

Segundo Promotoria, menino era obrigado a comer até vomitar e depois ingerir o próprio vômito. Era agredido a socos e chineladas

iG Rio de Janeiro |

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou por tortura e pediu a prisão preventiva de  Jorge Luís Alves de Olveira, que é acusado de espancar o enteado de cinco anos.

Segundo a acusação, o suspeito agredia o menino com socos e chineladas nas mãos, costas e pescoço. Também obrigava o garoto a comer até vomitar e ingerir o próprio vômito. Jorge Luís ainda é acusado de forçar o menino a vestir roupas femininas e bater em seu rosto para que ele agisse como homem.

De acordo com a denúncia, no dia 1º de março, o menino e a irmã, de sete anos, estavam em casa com Jorge enquanto a mãe trabalhava. Ao chegar do trabalho, o suspeito disse à mulher que o garoto havia levado um tombo no banheiro.

A mãe levou o filho para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro de Marechal Hermes, na zona norte da capital, onde ficou constatado que a criança tinha sinais de espancamento, marcas de enforcamento, crânio afundado e problemas de visão. O menino mora atualmente com a avó paterna e a irmã, com a tia materna.

Segundo a Promotoria, Jorge obrigava ainda os enteados a ficarem de castigo o dia inteiro no banheiro, com as mãos para trás.

Ameaças

De acordo com o Ministério Público, o Disque Denúncia recebeu ligações de pessoas afirmando que as duas crianças estavam sofrendo ameaças de morte e de novas agressões, caso relatassem o ocorrido. “Para assegurar sua impunidade, o denunciado, no curso do processo, ameaçou a menina a nada contar sobre o ocorrido, fato que a levou a dizer chorando que ‘Jorge não tinha feito nada daquilo’”, descreve o laudo.

“A intenção de causar sofrimento está comprovada pelas sistemáticas agressões relatadas pelos parentes ouvidos, somadas à forma cruel de tratamento dispensado a uma criança de apenas 5 anos, à época dos fatos”, diz a denúncia.

 Para a promotora Andréa Amin, a seriedade das ameaças e o temor causados são facilmente percebidos na leitura das declarações da menina: Segundo ela, a menina dizia ter medo que o padrasto podia estar zangado com tudo que ela falou (a respeito das surras que ele dava no irmão) e também porque ela disse que Jorge a ficaria melhor se estivesse preso.

“Trata-se de crime hediondo, praticado de forma perversa, com requinte de crueldade, e que a gravidade da conduta do agressor salta aos olhos”, ressaltou.

A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude investiga, em outro procedimento, a negligência e participação da mãe das crianças nos episódios de maus-tratos.

    Leia tudo sobre: torturacriançaRio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG