Ouvir sobreviventes de tiroteio ajuda a reduzir mortes, diz agente do FBI

Em conversa com o iG, policial afirma que nunca se deve subestimar suspeitos e que muitos atacam por se sentirem desrespeitados

Raphael Gomide, iG Rio |

Entrevistar criminosos e policiais que sobreviveram a tiroteios é fundamental para adaptar procedimentos e salvar vidas de policiais em confrontos futuros com criminosos, disse com exclusividade ao iG Robert Casey, chefe da seção do FBI que faz estatísticas de agentes mortos e feridos.

Casey e mais seis agentes do órgão policial federal dos Estados Unidos estão no Rio para treinar PMs hoje e amanhã a fim de reduzir as mortes de agentes no estado brasileiro onde isso mais acontece. Em 2010, 128 policiais foram mortos violentamente apenas no Rio de Janeiro; em todos os estados dos EUA, houve 127 mortes violentas de agentes da lei. O Rio tem cerca de 39 mil PMs, e há 940 mil agentes de segurança nos EUA. Entre 1996 e 2010, 1.843 policiais foram mortos no estado, em serviço ou de folga.
“É importante saber o que os criminosos estavam pensando, conhecer sua perspectiva e entender os motivos por que atacaram os policiais”, explicou. Segundo Casey, “nunca se deve subestimar um suspeito”.

“Muitos dos que atacaram policiais eram homens pequenos, aparentemente frágeis, que disseram ter sido tratados sem respeito pelos policiais e por isso os atacaram. Outros contam que já tinham decidido atirar no próximo policial que o parasse, ou no próximo que os desrespeitasse. Aí ele vê um policial fora de forma, gordo, e acha que tem chance contra ele. São coisas que devemos ter em mente, exemplos que ajudam a pensar.”

As pessoas que se envolveram em tiroteios com policiais são normalmente entrevistadas após a condenação; os agentes falam também após investigação interna e, em geral, cerca de um anos depois do fato. Um questionário detalhado, com 22 páginas, é aplicado a quem participou do tiroteio. Essas informações servem para redefinir políticas de treinamento de policiais. O agente americano morto tem, em média, 38 anos de idade e 12 de profissão.

“Esperamos conseguir dividir essas informações e mostrar como funciona o nosso programa, que é muito detalhado”, disse Casey.

Diferentemente do Rio, porém, nos Estados Unidos, a mais freqüente causa de morte de policiais são os acidentes. Em 2010, por exemplo, 56 morreram em confrontos – 55 por arma de fogo – e 71 em acidentes (carro, acidente com arma, em treinamentos e outros). “Muitos casos são, infelizmente, por falta de uso do cinto de segurança. Muitas mortes acontecem em casos em que as pessoas estão indo para situações de não-emergência. Não estão respondendo a um chamado de emergência, dirigem o carro rápido demais e sem cinto, e acabam mortos”, disse o agente do FBI.

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