Operação contra jogo do bicho prende ex-prefeito, PMs e contraventores

Pelo menos 44 foram detidos. Acusados de serem líderes de grupos que exploram o jogo do bicho são ligados a escolas de samba

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Quarenta e quatro pessoas foram presas na operação realizada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil para desarticular uma quadrilha ligada ao jogo do bicho em seis cidades do Estado do Rio de Janeiro. Entre os presos está o ex-prefeito de Teresópolis, Mário de Oliveira Tricano, além de dois policiais militares e um guarda municipal.

Trinta e nove mandados de prisão foram cumpridos e outros cinco suspeitos foram presos em flagrante. Dos 44 presos, 36 foram localizados no Rio de Janeiro, um na Bahia, outro no Maranhão e mais um em Pernambuco, segundo informações da Polícia Civil.

AE
Material apreendido na operação batizada de "Dedo de Deus" é apresentado na Academia de Polícia Civil
De acordo com os policiais, as investigações da operação batizada de "Dedo de Deus” tiveram início há um ano. Na ocasião, a Polícia Civil recebeu denúncias de que comerciantes da Região Serrana do Estado do Rio eram coagidos para a implantação de pontos de jogos de bicho.

Ao checar as denúncias, a polícia identificou a ligação de células responsáveis pela contravenção em Teresópolis, Petrópolis, Nilópolis, Duque de Caxias, São João de Meriti e Rio de Janeiro. Segundo a investigação, essas células trocavam favores e cada uma possuía um chefe.

Entre esses líderes estão Anísio Abraão David, presidente de honra e patrono da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis; Luiz Drumond, presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense; Hélio Ribeiro, presidente-administrativo da escola de samba Grande Rio, Yuri Soares, filho do patrono da Grande Rio; e Mário de Oliveira Trincano.

Foram expedidos mandados de prisão preventiva contra todos eles. Até o momento, apenas o ex-prefeito de Teresópolis foi detido. Eles vão responder pelos crimes de contravenção, formação de quadrilha armada e corrupção ativa e passiva. As penas somadas podem chegar a 45 anos de reclusão.

Contraventores usavam “bicho eletrônico”

Agência O Globo
Agentes desceram de rapel do helicóptero da polícia na cobertura do prédio de Anísio Abraão David

As investigações da Polícia Civil também identificaram ramificações da quadrilha em outros três Estados: Bahia, Pernambuco e Maranhão. Em Salvador foi localizada uma empresa que fornecia máquinas de cartão de crédito adaptadas para o jogo do bicho, chamado popularmente de “bicho eletrônico”.

Segundo a polícia, cada equipamento custava R$ 1.200 e substituía os antigos talonários para o apontamento das apostas. Além disso, as máquinas também burlavam os resultados. “Se um número sorteado tivesse sido apostado por muitas pessoas, eles alteravam os resultados para não quebrar a banca”, afirmou o delegado da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Felipe Bittencourt.

A empresa baiana também fornecia para o grupo criminoso chips e serviços de manutenção, além de um call center. Um dos funcionários dela vinha com frequência ao município de Duque de Caxias e era convidado do camarote da Grande Rio no carnaval carioca.

No Recife foi localizada uma gráfica que fornecia os talonários usados pelos apostadores mais antigos, não acostumados com o “bicho eletrônico”. Cerca de 90% do material encontrado nessa gráfica servia à contravenção. 

Rapel contra o jogo do bicho

A Polícia Civil também explicou a necessidade do uso da técnica de rapel para a chegada dos agentes da Cordenadoria de Recursos Especiais (Core) na casa do contraventor Anísio Abraão David. “Havia a informação de que a residência possuía portas blindadas. Precisávamos de agilidade porque as provas poderiam ser destruídas, caso os agentes entrassem normalmente”, afirmou Bittencourt.

A polícia também realizou buscas nos barracões das escolas de sambas que seriam vinculadas à quadrilha. No barracão da Beija-Flor foram encontrados R$ 115 mil em dinheiro. Durante a operação, também foram apreendidas R$ 517 mil, joias, obras de arte, além de documentos que coloboram com a investigação.

O Globo
Policiais saem do prádio de Anísio Abraão David com o material apreendido na cobertura

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG