ONG faz ato contra armas em Copacabana após massacre

Entidade Rio de Paz defende que armas apreendidas e furtadas de proprietários regulares minam segurança. OAB defende novo debate

Agência Brasil |

Agência O Globo
Bandeiras do Brasil foram manchadas de sangue em protesto ao tráfico de armas e munições

Doze bandeiras manchadas com tinta vermelha, simbolizando o sangue dos 12 mortos no massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira , em Realengo, foram hasteadas em varais na areia da Praia de Copacabana, na zona sul da cidade do Rio, na tarde deste domingo. O ato tem por objetivo pedir um combate mais efetivo ao tráfico de armas e munições.

Segundo o coordenador da organização não governamental Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, que está promovendo a manifestação, a ideia é fomentar um debate entre as autoridades e a sociedade.

“Estamos aqui para fazer perguntas às autoridades que, esperamos, sejam respondidas à sociedade civil: de onde vêm as munições? Qual a procedência das armas? Sabe-se que 86% das armas que foram apreendidas das mãos de bandidos haviam sido vendidas legalmente. Há 150 mil armas acauteladas pela Polícia Civil e guardadas em depósito. Há segurança?”, perguntou Costa.

Segundo ele, o controle das armas também é responsabilidade da sociedade civil. Ele explica que é preciso fazer uma mobilização para retirar as armas de circulação, assim como é feito para combater a dengue. “Estamos falando de algo disseminado como mosquito, só que rasga a carne, interrompe vidas, devasta famílias”, afirmou.

Além das bandeiras, foi estendido um cartaz na areia da praia com a seguinte frase: “A sociedade exige combate ao tráfico de armas e munição”.

OAB pede novo referendo

Também neste domingo a Ordem dos Advogados do Brasil defendeu a retomada da discussão sobre o desarmamento no Brasil. Para o presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, o massacre que deixou 12 crianças mortas, na última quinta-feira, deve servir como reflexão para os riscos que a sociedade corre com o livre acesso de cidadãos a armas de fogo.

“Uma tragédia como essa, infelizmente, acaba servindo de lição, por conta da facilidade com que se consegue adquirir armas no Brasil. Esse rapaz não era membro de quadrilha, não era do crime organizado, era um descontrolado que tinha acesso com facilidade a uma arma”, disse.

Em 2005, em um referendo que perguntava “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”, 63,94% dos brasileiros disseram não ao desarmamento contra 36,06% que votaram pelo fim do acesso às armas.

“Talvez a sociedade brasileira tenha amadurecido do referendo para cá”, pondera Damous. Na avaliação do jurista, a retomada do debate nacional sobre o desarmamento poderia ser feita inclusive com a convocação de um novo referendo. “Essa é uma discussão que merece ser feita democraticamente. Um novo referendo seria oportuno e democrático.”

Damous lembra que a legalidade do porte de armas no Brasil é responsável por “tragédias domésticas diárias” e acaba abastecendo grupos criminosos. “Não há porque o cidadão, a sociedade civil estar armada. Quando o cidadão tenta usar a arma normalmente é morto ou tem a arma roubada e aumenta o poder de fogo dos criminosos. E a arma ainda incentiva a noção de fazer justiça com as próprias mãos, o que exime o Estado da responsabilidade de garantir a segurança”, avalia Damous.

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