Oficial da PM disputa coroa de rainha do carnaval carioca

Policial precisou do aval da corporação para participar de competição

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

O tradicional concurso que elege a rainha do carnaval carioca conta este ano com uma candidata inusitada. Aos 27 anos, a capitão da Polícia Militar Juliana da Rocha Pereira causou polêmica ao se inscrever na competição e precisou do aval do Comando Geral da PM para participar. A primeira eliminatória do concurso acontece na noite desta quinta-feira (7) na Cidade do Samba, na Gamboa, zona portuária do Rio de Janeiro.

“Não sabia que era necessário usar biquíni nas eliminatórias. Pensei que poderia usar uma saia ou um maiô. Quando soube desse detalhe fiquei receosa por ser policial, mas o comando da corporação permitiu contanto que fosse um biquíni decente”, diz ela, que se inscreveu após uma pressão feita pelas amigas do quartel.

Isabela Kassow
"Sou novata nesse meio", diz Juliana

Formada em Direito e pós-graduada em Segurança Pública, a policial tem enfrentado uma rotina intensa para não fazer feio na competição. Além das aulas diárias de samba, musculação, atividades aeróbicas e uma dieta rigorosa – composta por líquidos, saladas e barrinhas de cereal – entram no planejamento tendo em vista a coroa do carnaval.

“Muitas meninas que participam do concurso já competiram outras vezes. Na maioria são passistas ou dançarinas. Sou novata nesse meio”, conta, com modéstia, a musa, que torce pela Portela. “Desfilei neste ano pela primeira vez. Saí ao lado de outras sete oficiais em um carro que homenageava as UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora]”, relembra.

Sonhos

Sem cirurgias plásticas, Juliana ostenta 52 quilos bem distribuídos em 1,75 metro. Ao contrário de pistolas e fuzis, a policial conta com outras armas: busto 92 cm, cintura 70 cm e quadril 109 cm. Com prêmio de R$ 20 mil, caso vença o concurso, pensa em dar entrada em um apartamento. “Já fico feliz com o terceiro lugar, que paga R$ 15 mil”.

Isabela Kassow
"Sou novata nesse meio", diz Juliana
Separada em abril após sete anos de casamento, a PM diz que não está à procura de pretendentes, no momento. “Não quero namorado, quero cuidar de mim. Não gostei da experiência de ser casada”, revela, aos risos.

De férias no trabalho, onde atua na Auditoria de Justiça Militar, Juliana não se deslumbra com a notoriedade adquirida após a inscrição no concurso. Estuda atualmente para o concurso de delegada da Polícia Civil e, no futuro, quer ser juíza.

“De forma alguma vou largar minha profissão ou parar de estudar para seguir esse caminho. Isso para mim é um hobby. Esse mundo me agrada, mas não me ilude”, diz. Confira abaixo um bate-papo rápido da policial com o iG :

iG: Você é uma mulher bonita e trabalho em um ambiente majoritariamente masculino. Rolam muitas gracinhas entre os colegas de trabalho e na rua?

Juliana: Os policiais que trabalham comigo não podem falar gracinhas para mim, até porque há uma hierarquia. Todo mundo está lidando com a minha participação no concurso de uma forma muito agradável. Ninguém perdeu o respeito comigo até porque me coloco no meu lugar. Na rua ouço algumas gracinhas, mas toda mulher ouve independente da profissão.

iG: Se rolasse um convite, você posaria nua?

Juliana: De jeito nenhum. Não tem nada a ver com o que quero ser. Teria que pedir baixa na Polícia Militar. Isso acabaria com meus sonhos.

iG: O que é mais difícil: sambar como uma passista ou manusear um fuzil?

Juliana: Fazemos três anos de Academia da Polícia Militar. Por isso, é mais fácil manusear um fuzil. Temos um treinamento longo e ficamos preparados para isso. Sambar como uma passista é mais difícil para mim (risos).

Make-up: Luciana Brasil
Cabelo: Júnior Hair Designer

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