Ocupação de resgate de nove favelas do Rio não tem data para acabar

Com o apoio de veículos blindados da Marinha, Polícia Militar do Estado inicia ocupação nos morros de Santa Teresa, Estácio e Rio Comprido

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Ana Branco / Agencia O Globo
Policiais realizaram blitzes em Santa Teresa, ocupada pela polícia desde o início deste domingo, para evitar a saída de armas e drogas das favela
A ocupação de nove favelas na região central da cidade do Rio de Janeiro neste domingo (6) começou a ser montada na tarde de sábado, quando cercos foram montados em diferentes bairros e vias de saída da capital, a fim de evitar a fuga de criminosos. Desde o início da manhã, cerca de 700 homens das polícias Civil, Militar e Federal começaram a ocupar as favelas dos bairros de Santa Teresa, Estácio e Rio Comprido, em uma operação que, segundo a Secretaria de Segurança do Estado, não tem data para acabar.

Ana Branco / Agencia O Globo
Blindado do Batalhão de Choque reforça a segurança em uma via de acesso ao Morro de São Carlos, no Estácio
A ação se estenderá pelas favelas da Mineira, Querosene, Zinco, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Prazes e Escondidinho. Os morros são importantes vias de ligação entre as zonas norte e sul da cidade.

Ainda neste sábado, um veículo blindado da PM fluminense garantia suporte à operação em uma das entradas do Morro de São Carlos, no Estácio, onde moradores circulavam tranquilamente pelas ruas.

Além de 13 blindados das polícias do Rio, a ação conta com o reforço de veículos da Marinha, que deram apoio logístico à retomada de território nos Complexos da Penha e do Alemão , na zona norte, em novembro do ano passado.

Os veículos são utilizados para transpor barreiras montadas por traficantes, já que possuem esteiras no lugar de rodas, o que lhes permite passar sobre qualquer obstáculo.

A operação também marcará a estreia do helicóptero blindado da PM, já apelidado de “ caveirão do ar ”. Durante a entrada dos policiais, a aeronave irá reforçar a atuação do Bope (Batalhão de Operações Especiais). O veículo, de fabricação americana, tem capacidade para 15 pessoas e uma blindagem mais resistente.

Salvador Scofano
O helicóptero possui blindagem que suporta tiros de fuzil e tecnologia para voos noturnos

Neste sábado, em Santa Teresa, o clima entre moradores, turistas e profissionais de diferentes áreas que trabalham no local, era de tranquilidade. “Tive mais de 100 clientes e precisei negar algumas reservas para à noite, porque não tinha mais mesa livre”, contou a funcionária de um restaurante do bairro.

“O dia inteiro foi movimentado, não vi nada demais. Mas neste domingo deve cair o movimento nas lojas por causa da ocupação”, disse um segurança que trabalha para o comércio local.

Equipe de 250 civis monitoram bandidos em fuga

Fernando Quevedo / Agência O Globo
Na última quinta-feira (3), policiais rodoviários federal fizeram blitz no pedágio da Ponte Rio-Niterói para evitar fuga dos bandidos, após o anúncio das novas UPPs
Uma força-tarefa com 250 policiais civis de sete delegacias especializadas do Rio também atua em outra frente da operação: monitorar a movimentação de criminosos que tentam se refugiar em outras favelas da cidade.

As operações serão todas concentradas no Batalhão de Choque da Capital, no Estácio, próximo ao Sambódromo do Rio de Janeiro.

Informações do setor de inteligência da Polícia Civil dão conta de que chefes do tráfico das favelas de São Carlos e da Mineira, no Estácio, teriam fugido para a Rocinha (a cerca de 15 Km desses morros), na zona sul, enquanto que outra parte do grupo, considerada do segundo escalão, teria buscado abrigo nos morros localizados no bairro de Costa Barros, na zona norte.

Já os traficantes rivais de Santa Teresa, região que virou abrigo de criminosos que fugiram do Complexo do Alemão, teriam tentado se esconder no Morro do Juramentinho, também na zona norte.

A fuga em massa dos traficantes teria começado na última quinta-feira (3), após o anúncio da chegada das UPPs. Neste dia, policiais apreenderam um caminhão com eletrodomésticos que seriam dos traficantes do Morro de São Carlos que teriam abandonado o lugar. Foram apreendidas televisões de tela plana, máquinas de lavar roupa, fogão e geladeira.

Três UPPs para a região

A expectativa das autoridades de segurança do Rio é de que no prazo de um mês, três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) sejam instaladas nas favelas. Estima-se que 600 policiais recém-formados façam a ocupação e façm uso de armas não-letais.

A primeira UPP será responsável por dar cobertura aos morros de São Carlos, Mineira, Querozene e Zinco, nos bairros do Catumbi e do Estácio, enquanto que a segunda cuidará das favelas do Fallet, Fogueteiro e Coroa, no Rio Comprido. A terceira atenderá aos morros do Escondidinho e Prazeres, em Santa Teresa.

Zona de Conflito

Na semana passada, cerca de 120 policiais civis iniciaram uma operação nas favelas do Zinco, São Carlos, Mineira e Querosene, com o objetivo de combater o tráfico de drogas na região e finalizar o levantamento de informações para a ocupação deste domingo. Na ocasião, o prédio administrativo da Prefeitura foi atingido por disparos . O prefeito Eduardo Paes e outros servidores estavam no local, mas ninguém foi ferido.

O planejamento para a ocupação da área começou em 2009, quando a polícia começou a mapear o movimento da criminalidade na região, além da topografia da área. Para garantir a entrada total nas favelas, policiais do Batalhão Florestal fazem incursões pela mata. Equipes da Companhia Independente de Cães da PM também garantem o reforço aos agentes.

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