Polícia ocupa três favelas no Rio de Janeiro

Cerca de duas horas e meia após o início da operação, o Chefe do Estado Maior da PM confirmou que comunidades estavam dominadas

Paula Costa, especial para o iG | 13/11/2011 04:38 - Atualizada em 20/12/2011 11:20

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A ocupação das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, na zona sul do Rio de Janeiro, ocorreu sem incidentes e feridos neste domingo. A ação integrada pela Polícia Militar, Polícia Federal e Polícia Civil teve início por volta das 4h15 da madrugada deste domingo com a entrada de cerca de 20 homens da Polícia Rodoviária Federal na comunidade. Os policiais entraram pela Via Ápia, um dos principais acessos à comunidade. Agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), entraram logo em seguida.

Leia também: "Andar pela rua e não ver fuzil será uma vitória", diz morador da Rocinha

Cerca de duas horas e meia após o início das operações, o Coronel Pinheiro Neto, Chefe do Estado Maior da Polícia Militar, confirmou que as comunidades da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu estão sob controle da PM. No entanto, a operação Choque de Paz prossegue ao longo do dia. Segundo a Polícia Militar, na ocupação da Rocinha não foi feito nenhum disparo e não houve nenhum ferido.

Neste domingo, policiais vasculham casas em busca de suspeitos, drogas e armas. A Polícia Civil também conta com a ajuda de cães farejadores. Para evitar fugas, a exemplo do que ocorreu na ocupação do Morro do Alemão, em novembro de 2010, o Bope tomou a floresta da Tijuca.

A assessoria da Polícia Militar informou que foram encontrados destroços de motos e óleo na pista para dificultar o acesso das forças de segurança. Policiais relataram ao iG que encontraram várias barricadas. Além de óleo no Largo do Santinho, havia móveis, carros e lixo bloqueando a passagem dos agentes.

Também fazem parte da Operação Choque de Paz 1.500 oficiais da Polícia Militar do Rio, 194 homens da Marinha brasileira e 18 veículos blindados. É o maior efetivo empregado até agora nas ações de apoio logístico às operações de segurança no Estado. O espaço aéreo na região foi fechado e todos os acessos à Favela da Rocinha foram interditados desde às 2h30 da madrugada. Por volta das 7h30, as vias que ligam a favela à zona sul foram liberados.

Pela manhã, foram apresentadas as primeiras armas apreendidas na operação. Onze fuzis, uma granada, uma metralhadora, duas lunetas, 21 carregadores, uma escopeta. No morro do Vidigal, foram recolhidas 16 máquinas caça-níqueis. Além das armas, a polícia identificou a casa um dos principais traficantes da região.

<span>Helicóptero da Polícia Militar sobrevoa as favelas ocupadas neste domingo</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Outro helicópetro da PM patrulha áreas das favelas desocupadas</span> - <strong>Foto: AE</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Blindados da Marinha ajudam na ocupação da favelas</span> - <strong>Foto: EFE</strong> <span>Moradores observam a ação de ocupação da favela neste domingo</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Folheto que o Bope entrega para os moradores da Rocinha com os telefones para denúncias e informações </span> - <strong>Foto: Divulgação</strong> <span>Motos apreendidas pela pol~icia durante ação na Rocinha</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Moradores andam em meio a tropas militares na manhã deste domingo</span> - <strong>Foto: Fabrizia Granatieri</strong> <span>Bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro hasteadas neste domingo na Rocinha</span> - <strong>Foto: Cléber Júnior/Agência O Globo</strong> <span>Caveirão foi chamado para tentar passar por ruas cobertas de óleo dentro da Rocinha</span> - <strong>Foto: J. Egberto</strong> <span>William de Oliveira, atual presidente do Movimento Popular de Favela</span> - <strong>Foto: J. Egberto</strong> <span>Rocinha praticamente deserta na madrugada deste domingo</span> - <strong>Foto: J. Egberto</strong> <span>Fila de carros da Marinha do tipo Lagarto-anfíbio prontos para operar na ocupação</span> - <strong>Foto: J.Egberto</strong> <span>Jornalistas aguardam o início da operação de ocupação da Favela da Rocinha</span> - <strong>Foto: J. Egberto</strong> <span>Agentes do Bope em ação durante a madrugada</span> - <strong>Foto: Marcio Marques</strong> <span>Agentes seguem ação de entrada na favela durante a madrugada</span> - <strong>Foto: Marcio Marques</strong> <span>Policiais posicionados em frente a entrada da Rocinha, na noite deste sábado (12)</span> - <strong>Foto: J.Egberto</strong> <span>População acompanha posicionamento dos carros de combate da Marinha</span> - <strong>Foto: J.Egberto</strong> <span>Oficial da Marinha dentro de carro lagarto-anfíbio</span> - <strong>Foto: J.Egberto</strong> <span>Policial conduz moto apreendida na Rocinha, na noite deste sábado (12)</span> - <strong>Foto: J.Egberto</strong> <span>Policiais do Batalhão de Choque cercam um dos acessos à favela na tarde deste sábado (12)</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>A revista será feita até o início da ocupação policial</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>A revista foi intensificada depois que um dos bandidos tentou fugir de táxi, na sexta-feira</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Tropa do Batalhão de Choque fechou o cerco nos acessos de entrada e saída da favela</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Policial revista passageiro de van próximo à Rocinha, neste sábado (12)</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Rotina segue normal na favela, apesar do clima de apreensão. Bares funcionaram durante a madrugada e o comércio abriu na manhã de sábado (12)</span> - <strong>Foto: Agência Estado</strong> <span>Policiais revistam motos e até ônibus</span> - <strong>Foto: Agência Estado</strong> <span>Polícia está na Rocinha desde as primeiras horas deste sábado; movimentação dos moradores é normal</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Policiais do Batalhão de Choque reforçam o patrulhamento nesta sexta-feira na Rocinha</span> - <strong>Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo</strong>

 

Mais fotos: Veja também imagens das apreensões da polícia durante a ocupação

Apreensão e blitz na madrugada

A primeira apreensão desta noite na Rocinha foi de uma moto roubada. Um jovem de 18 anos estava com a placa do veículo adulterada e foi detido. “Quando ele me viu, tentou fugir, mas como estava muito assustado caiu”, disse o cabo A. Rodrigues. Segundo o policial, a equipe não tem horário para ir embora e a operação deve durar o domingo todo.

Foto: J. Egberto

Igor Tomás da Silva foi preso enquanto recebia atendimento médico

O rapaz detido disse que era menor de idade, mas seu pai compareceu ao local da detenção e afirmou que ele tinha 18 anos. Como estava sem documentos, os policias não puderam verificar se o motorista tinha antecedentes criminais.

Por volta das 3h, um homem de 29 foi preso ao ser atendido em um posto médico montado na região. Carregado por duas pessoas, Igor Tomás da Silva disse que estava passando mal e passou pelo bloqueio policial. A polícia puxou a ficha de Igor e descobriu que ele estava foragido desde 2009 por assalto a mão armada. Ele foi preso enquanto recebia atendimento.

Reação da comunidade

O ex-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, William de Oliveira, afirmou na madrugada deste domingo que as pessoas que vivem na região só devem apoiar totalmente a ocupação da favela, na zona sul do Rio de Janeiro, após a operação. "A Rocinha tem 200 mil habitantes, há uma diversidade de opinião. Depois da ocupação, o policial terá que mostrar como vai tratar a comunidade, aí sim todos serão a favor", declarou.

Sobre a operação, William, que hoje preside o Movimento Popular de Favela, esperava que não haja confrontos com os traficantes. "Só quero que deem prioridade à vida. Quem comete delito deve ser preso, não morto", diz. Ele ainda defendeu uma maior atenção à Rocinha e disse que o Governo deve priorizar agora outras questões da comunidade, e não apenas a segurança. "Nós temos várias áreas precárias, são pessoas que moram em situação desumana. Esperamos ser tratados como prioridade."

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