Obra do PAC ameaça casas em favela do Rio

Moradores do Complexo do Alemão reclamam da principal obra do PAC na zona norte do Rio de Janeiro

Agência Brasil |

Rio de Janeiro - Moradores do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, que vivem no entorno das obras do teleférico, se queixam da falta de informação sobre o que vai ocorrer com suas casas, que estão com rachaduras e goteiras após o início das construções. Muitas pessoas tiveram as casas demolidas para a instalação do teleférico e foram reassentadas nos conjuntos habitacionais na entrada da comunidade, mas as moradias que permaneceram no local apresentam problemas.

“Tiraram casas que não havia necessidade de tirar, a minha tinha infiltração e hoje tem goteiras. Tem uma casa perto da minha em que a parede caiu, para mim está dando prejuízo. Com o vibrador para socar o chão, a casa sofreu muito impacto, tem rachaduras, e mais cedo ou mais tarde pode dar problema”, criticou Fábio Silva, 52 anos.

A Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) informou que há um canteiro social na entrada da comunidade para manter o diálogo com os moradores. Além das desapropriações das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mais 1,2 mil casas serão removidas do Complexo do Alemão por causa da chuva que atingiu o estado no início de abril.

“O Morro do Adeus foi uma das primeiras desapropriações, foram entregues os conjuntos habitacionais há um ano. No topo do morro é formado um vale, que em época de chuva é devastador. Está sendo feito o cadastramento no canteiro social, na semana passada foi realizado um levantamento para as pessoas receberem o aluguel social enquanto os apartamentos não são entregues. No Adeus, 200 casas serão removidas”, informou a Emop, empresa responsável pelas obras na comunidade.

“Está ficando bonito, para a gente ficou melhor de subir com as compras e materiais, tem a rua e o carro vem até em cima agora. Antes só dava para subir de escada, melhorou bastante”, disse Ana Ferreira, 47 anos, moradora do entorno da estação do Morro do Adeus.

Os funcionários estão trabalhando em média oito horas por dia, muitos fazendo horas extras inclusive aos domingos. Entre os operários que trabalham na construção da estação do Morro do Adeus, nenhum se queixou quanto à remuneração, que está sendo paga em dia, segundo eles.

De acordo com o engenheiro responsável pela montagem do teleférico, Henrique Ladeira, por volta do mês de julho os cabos devem ser instalados e está previsto para setembro o início dos testes dos equipamentos, que serão feitos durante seis meses. O engenheiro afirmou que duas estações estão com 95% das obras concluídas e na terceira aproximadamente 40% das obras já foram encaminhadas.

Na semana passada, o segundo pilar do teleférico do Complexo do Alemão foi montado. É o 14º dos 25 que estão previstos para o projeto. O teleférico é apontado pelo governo federal como uma das principais obras de urbanização do PAC no Rio de Janeiro. Haverá cinco estações na comunidade, além da conexão com a Estação Ferroviária de Bonsucesso, num percurso de 3,9 quilômetros, transportando dez passageiros em 16 minutos.

Segundo a Emop, os custos do projeto não são discriminados, portanto há apenas o valor de toda a obra do PAC no Complexo do Alemão, que é de R$ 565 milhões, com 2 mil pessoas empregadas. A empresa responsável pela manutenção do teleférico, que ainda não foi acertada, vai definir se as passagens serão pagas ou não pelos moradores.

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