OAB: número de mortos na tragédia do Rio deve passar de 1,5 mil

¿O número seguramente deverá ultrapassar 1,5 mil", disse o presidente da Caixa de Assistência aos Advogados da OAB-RJ

Agência Brasil |

O número de mortos nos municípios da região serrana do Rio de Janeiro destruídos pelas chuvas e avalanches de terra no último dia 12 deve chegar 1,5 mil, segundo o presidente da Caixa de Assistência aos Advogados da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz. Nesta quarta-feira, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro divulgou uma nova lista com os nomes de 518  desaparecidos . Mais de 830 óbtos já foram confirmados .

A avaliação de Santa Cruz se baseia em duas constatações: ainda há um grande número de desaparecidos na região serrada e não há como calcular no momento a quantidade de famílias das regiões afastadas que enterraram vítimas do desastre nas próprias localidades, devido à dificuldade de levar os corpos até os necrotérios e cemitérios. 

“O número [de mortos] seguramente deverá ultrapassar 1,5 mil. Assim que as buscas avançarem, infelizmente deveremos chegar, ou mesmo ultrapassar, este número”, disse Santa Cruz. 

Ele afirmou que ainda há muita terra sendo revolvida na serra fluminense. “Há áreas carentes onde houve casos de as pessoas enterrarem seus próprios familiares e temos também um número grande de desaparecidos. Em Nova Friburgo, por exemplo, ainda não houve sequer a consolidação desse número de desaparecidos.”

Comissão da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Rio de Janeiro (OAB/RJ) anunciou a criação de uma comissão para acompanhar a aplicação do dinheiro destinado aos municípios devastados pelas chuvas e avalanches de terra na região serrana do Estado. 

A OAB/RJ tomou a decisão por entender que faz parte de suas atribuições participar do processo de recuperação dos municípios, que deve ser longo. A entidade também está articulando as subseções das cidades destruídas pela enxurrada para que trabalhem em conjunto com o Ministério Público, Defensoria Pública e representações da sociedade civil na fiscalização das aplicação dos recursos.  

“Não se trata apenas de debate sobre destinação de donativos”, disse Santa Cruz. “Estamos discutindo o destino e a reconstrução das comunidades para que as tragédias não se repitam. Do ponto de vista jurídica, a situação se revelou um verdadeiro caos. Temos poucos instrumentos jurídicos e nenhum arcabouço legal para reagir a uma calamidade dessa proporção”. 

A decisão de criar a comissão de acompanhamento foi tomada hoje, após a inauguração da 2ª Vara do Trabalho de Nova Friburgo. A OAB/RJ firmou parceria com a Casa da Moeda para a elaboração de uma cartilha sobre os direitos da população atingida pela enxurrada.

* com informações do iG São Paulo

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