Nova estratégia de policiamento para inibir violência começou nesta sexta-feira

Helicópteros da PM se concentraram em áreas onde ocorreram sucessivos arrastões

Bruna Fantti, especial para o iG |

Nesta sexta-feira (8), após o aumento repentino de violência no Rio de Janeiro, a cidade amanheceu policiada por helicópteros. As aeronaves sobrevoaram principalmente a zona sul da cidade e as saídas das principais vias expressas.

O uso das aeronaves foi uma das medidas adotadas pela PM para inibir o avanço de assaltos a motoristas promovidos por grupos. O policiamento foi reforçado também com até três viaturas nas saídas das principais vias expressas da cidade, além do uso de motocicletas, de agentes do batalhão de choque e do uso da companhia de cães.

Essa é a nova estratégia da polícia militar para tentar evitar que esses crimes se repitam. O comando de 17 unidades policiais também começou a ser trocado nesta sexta-feira, segundo a corporação, para “oxigenar as estratégias de policiamento”.

Além do aumento de roubos promovidos por grupos, nesta semana o ISP (Instituto de Segurança Pública) divulgou um balanço sobre o número de vítimas por balas perdidas.

O estudo compara o primeiro semestre de 2010 com o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda do número total de vítimas ter reduzido (em 2010 foram 84 contra 103 pessoas em 2009), as vítimas fatais aumentaram de 4 para 11 no período avaliado.

Novo arrastão

Motoristas que trafegavam no bairro Humaitá, na zona sul do Rio, na noite de quinta-feira (7), foram alvo de mais um arrastão na cidade. Pelo menos uma pessoa registrou queixa na 12ª DP (Copacabana), e informou que o crime fora praticado por volta das 23h.

Assim, sobe para quatro o número de arrastões na última semana. Outros três episódios similares ocorreram em um período de 24 horas, entre a noite de terça-feira (5) e quarta-feira (6) - em Laranjeiras, zona sul da cidade, e os outros dois no Elevado Paulo de Frontin, uma das vias que liga a zona norte à zona sul.

Policiamento aéreo já mostra resultados

De acordo com o comandante do GAM (Grupamento Aéreo e Marítimo), Coronel Eduardo Luiz Brandão Rodrigues, o policiamento com dois helicópteros foi concentrado em locais onde ocorrem arrastões recentes. “Percebemos que a mancha criminal [área onde ocorrem vários crimes] cresceu repentinamente nessas regiões. Por isso, deslocamos duas aeronaves para policiar durante todo o dia esses bairros”, afirmou.

Ainda segundo o oficial, neste primeiro dia de policiamento eles conseguiram ajudar na busca a um carro que fora furtado perto do Elevado Paulo de Frontin, na zona norte, apesar do veículo não ter sido encontrado.

Já em Niterói, região metropolitana, uma das aeronaves conseguiu auxiliar na perseguição a um veículo em que estava uma vítima de um seqüestro relâmpago. Os agentes que estavam no helicóptero mantiveram comunicação direta com policiais do 12°BPM (Niterói) que faziam a perseguição terrestre. Um suspeito foi preso e a vítima resgatada sem ferimentos.

Especialistas criticam nova estratégia da PM

Para o cientista político da Uerj, Geraldo Tadeu Monteiro, o reforço de segurança nesses locais “é um cobertor curto pois outras áreas devem ficar sem policiamento, facilitando novos crimes”. Ainda segundo Monteiro, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) poderiam ter relação com o aumento dos últimos roubos. “O fato é que as UPPs são contemporâneas do aumento desses roubos. Só nesse ano já foram mais de 30 arrastões noticiados pela imprensa. Claro que não se pode afirmar, cabe à polícia civil investigar, mas acredito que não seja só coincidência”.

Já o coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF, Eurico Figueiro, acredita que a polícia do Rio de Janeiro possui “uma cultura de prisão a qualquer custo”. Figueiredo afirma que o número de balas perdidas e os erros policiais corroboram com sua teoria. “A doutrina policial deveria ser de proteger o cidadão, até com o custo da própria vida. Mas o que vemos são ações não planejadas, tiroteios urbanos, e falta de treinamento como o que vitimou um juiz e sua família em uma blitz, na semana passada”, disse.

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