Nervosismo atrapalha identificação, diz secretário de Saúde

Reconhecimento de vítimas é feito com fotos de corpo já que maioria levou tiro na cabeça. Tragédia aconteceu em escola do Rio

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O secretário Estadual de Saúde do Rio, Sergio Côrtes, informou que ainda é preciso identificar sete das 11 crianças que morreram na tragédia na escola Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a instituição de ensino por volta das 8h e disparou contra alunos e funcionários. Onze alunos morreram. O atirador se matou após levar um tiro da polícia.

Ivone Perezerez (iG)
Clemilson Chaves, parente de vítima do atirador no Rio de Janeiro
Segundo Côrtes, a maior dificuldade na identificação é o nervosismo dos pais que estão recebendo fotos das crianças para identificar seus filhos. "As famílias que não conseguiram identificar as crianças serão levadas pelo governo do Estado para o Instituto Médico Legal (IML) do Rio onde os corpos passam por necrópsia", explica.

Familiares da adolescente Jéssica Guedes Pereira, de 15 anos, deixaram há pouco o Hospital Albert Schweitzer, no Realengo, onde receberam a confirmação da morte da estudante. Clemilson Pereira Chaves, de 30 anos, informou que sua prima, mãe de Jéssica, só conseguiu identificar a vítima após a apresentação da foto do corpo inteiro da menina. "A maioria dos tiros atingiu as acabeças das crianças, que ficaram desfiguradas. Quando minha prima viu a foto só do rosto da Jéssica, não conseguiu reconhecer. Só foi possível quando a vimos de corpo inteiro graças à roupa que usava." Após receberem a notícia, parentes de Jéssica passaram mal na porta do hospital. Duas primas chegaram a cair no chão abaladas pela informação. Jéssica e a família são moradores da favela Minha Deusa, no Realengo.

Feridos

O secretário de Saúde diz que, neste momento, quatro crianças estão em estado grave e passam por cirurgias nas unidades estaduais de saúde. Segundo ele, duas delas estão sendo operadas no hospital Albert Schweitzer, e uma terceira criança, no Hospital Adão Pereira Nunes, no Saracuruna. Esta criança apresentaria o quadro mais preocupante, de acordo com ele. Uma quarta criança foi transferida no início desta tarde para o hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Este é o caso de menor gravidade.

Côrtes ainda acrescentou que mais de 15 médicos com suas respectivas equipes de enfermagem e auxiliares se apresentaram voluntariamente para reforçar o atendimento nas unidades estaduais de saúde do Rio. O secretário corrigiu o número de feridos para 13 - 10 meninos e três meninas.

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