Nem da Rocinha comprava roupa de marca em shopping de luxo do Rio

Escutas telefônicas revelam que traficante gostava de artigos de grife e os encomendava ao seu “laranja”, para não ter de sair da favela

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Nem, vestindo camisa e calças sociais, roupas que vestia quando foi preso
O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso em 11 de novembro no porta-malas de um carro. Embora espremido, o traficante revelou sua vaidade. Com gel nos cabelos, vestia uma camisa de botão listrada, de manga comprida, calças sociais e sapatos . Não é a vestimenta padrão de um traficante de morro no Rio.

Leia também: Nota fiscal de show de Marcelo D2 na Rocinha estava com 'laranja' do tráfico

O processo contra Nem na Justiça do Rio revela que o criminoso tem gosto exigente e apreciava roupas de grife fora da prisão. Na penitenciária federal de Campo Grande, ele usa uniforme prisional, como em Bangu 1, no Rio.

Interceptações telefônicas apontaram que ele encomendava roupas da Armani Exchange, localizada no luxuoso São Conrado Shopping Fashion Mall – em bairro vizinho à Rocinha –, um dos mais sofisticados do Rio.

Secretaria de Administração Penitenciária
Nem, de cabelos raspados e vestindo o uniforme da prisão no Rio
O responsável pela compra dos produtos era o líder comunitário Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, denunciado pelo Ministério Público como o principal “laranja” e lavador de dinheiro do tráfico da Rocinha e de Nem.

Leia também: Líder da Rocinha, Feijão é denunciado como lavador de dinheiro do tráfico

De acordo com as investigações da polícia, ele fez “compras de artigos da Loja Armani Exchange, situada no shopping Fashion Mall, em São Conrado, localizada em frente à Rocinha, sendo certo que tal grife é utilizada por Nem”.

Como era procurado pela polícia, Nem evitava deixar a Rocinha, temendo ser preso.

De acordo com o Ministério Público, Nem "lucra fortunas com a venda ilegal de drogas", mas "não tem como utilizar legalmente esse dinheiro, seja pela impossibilidade de deixar sua 'fortaleza' em razão dos mandados de prisão em seu desfavor, seja pela impossibilidade de depositar ou usar esse dinheiro pelas vias normais, pela absoluta falta de lastro financeiro para justificar sua proveniência".

Assim, Feijão, que recebia montantes de dinheiro incompatíveis com as atividades de sua empresa de garagem de lava-jato de carros na Rocinha – a V Barros de Oliveira Comércio de Acessórios para Veículos Ltda –, era o “responsável pelos gastos do traficante e de sua família”, segundo denúncia do Ministério Público.

    Leia tudo sobre: NemRocinhapresoluxoshoppingfashion mallsão conradoroupamarcaloja

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG