"Não tem autoridade no Rio", diz aposentado que teve o carro incendiado

Vítima teve o veículo incendiado neste domingo, na Linha Vermelha

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Um dia depois de ter o carro incendiado por criminosos na Linha Vermelha (via expressa que liga a baixada fluminense ao Rio), o aposentado Paulo Cesar Albuquerque, 64 anos,diz que tem apenas uma preocupação: cuidar do estado emocional do neto de 10 anos, que estavacom ele no momento da ação criminosa.

Agência O Globo
Maria de Lurdes e Paulo César Albuquerque mostram objetos que foram queimados após criminosos atearem fogo no carro em que estavam, na Linha Vermelha
"Não tem mais comando nessa cidade. Não tem autoridade. Ninguém liga para o que acontece. Agora a gente vai ter que cuidar do menino, ele está apresentando sucessivas crises alérgicas, a médica disse que são de fundo emocional".

Neste domingo (21), por volta do meio-dia, Paulo Cesar levava a famíla, que mora em Mesquita, na baixada fluminense, para o shopping Nova América, na zona norte da capital, onde almoçariam e depois iriam ao cinema.

"Estava na Linha Vermelha quando vi dois carros parando. Minha mulher ficou muito nervosa, a gente logo viu que era bandido", relembra. "Eram pelo menos quatro jovens. Estavam armados, mas pareciam muito calmos. Um deles mandou a gente descer e o outro tacou fogo. Não nos levaram nada", relata.

De acordo com Paulo Cesar, não havia policiais por perto. Apesar disso, ele conta que os bandidos saíram correndo quando carros que seguiam pela via, em direção contrária, pararam na pista, causando
um grande congestionamento no local. "Eles largaram os galões de gasolina e saíram correndo" diz ele. "Foi uma coisa aparentemente gratuita, não levaram nada".

De acordo com o aposentado, o carro que ele dirigia, um Fox, tinha seguro, o que fará com que seus prejuízos sejam menores. "O maior problema será cuidar do trauma da minha mulher, que está muito
nervosa, e do meu neto. Ele, há pouco tempo, perdeu um tio, que era PM e foi assassinado e queimado. Agora passa por isso. Ele está bastante abalado."

Segundo Paulo Cesar, depois da ação criminosa, seu neto precisou ser levado ao médico. "Tá aparecendo alergia por todo o corpo e a garganta está inchando."

O aposentado acrescenta que já foi assaltado quatro vezes no Rio. "Numa delas colocaram a arma na minha barriga. A outra foi em frente à minha casa, meu carro quebrou e aproveitaram para levar tudo."

    Leia tudo sobre: incêndiolinha vermelhapolícia militar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG