¿Não aceito nem cheque em branco do Eike¿

Moradores do prédio ao lado do Hotel Glória, no Rio, rejeitam oferta de compra do imóvel por Eike Batista. Mesmo com todo o barulho e poeira causados pela obra

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Acostumado a difíceis negociações no mundo dos negócios, o milionário Eike Batista tem um desafio e tanto pela frente. Convencer os 23 proprietários do edifício Itacolomy a vender seus apartamentos. O prédio está localizado bem rente ao anexo do Hotel Glória, na zona sul do Rio, que Eike comprou há dois anos e que vem sendo totalmente reformado para se tornar um dos mais importantes hotéis de luxo do País. O Itacolomy está localizado na rua do Russel, número 680, pouco depois da praça Luis de Camões, onde fica o Memorial Getulio Vargas. Em tons de bege e arquitetura Art Déco e dois apartamentos em cada um dos doze andares, a construção conta com amplas janelas que dão vista para um dos mais famosos cartões postais da cidade: o Aterro do Flamengo, incluindo aí os jardins projetados por Burle Marx, o morro do Pão de Açúcar, o espelho da Baía da Guanabara, o aeroporto Santos Dumont e, bem ao fundo da paisagem, a ponte Rio-Niterói.

O desafio de Eike é convencer os moradores que estão relutantes em aceitar qualquer proposta do milionário. “Ele pode vir com um cheque assinado e em branco, que eu não aceito vender meu apartamento. Estou aqui há 42 anos, sabe o que é isso? É uma história de vida. Não tem preço que pague minha tranquilidade neste lugar”, diz Otilde Bandiro, de 92 anos, uma das moradoras mais antigas do prédio.

O fotógrafo Flavio Colker, que acaba de comprar um imóvel ali, também mostra revolta com a oferta de Eike. “Isso não está à venda. Não estou interessado em vender nada. Quero ficar lá, quero aquela vista, quero paz de espírito”, afirma.

Sem chance para negociação

Segundo o síndico Almir da Silveira, não há nenhum morador disposto a ceder espaço às escavadeiras de Eike Batista. Desde que, no feriado do dia 12 de outubro, um dos diretores do grupo do empresário apareceu no local falando do seu interesse em comprar todo o edifício, o assunto domina o hall, os três elevadores e os corredores do condomínio. “Já nos reunimos e foi decidido que nem se oferecerem quatro vezes o valor real, não vamos aceitar”, diz ele, categórico. Cada apartamento está avaliado, de acordo com o síndico, em torno de R$ 1,2 milhão.

O representante do Eike deixou um cartão de contato com o síndico e prometeu voltar no final do mês para ouvir a oferta dos moradores. “Ele chegou a dizer que era para pensarmos em um bairro para onde queremos ir. O Eike estaria disposto até a comprar um prédio inteiro para realocar todo mundo junto, se assim fosse do nosso interesse. Vê se pode isso?”, indaga o síndico.

[]Cada apartamento do Itacolomy tem cerca de 190 metros quadrados e o condomínio não é dos mais caros: R$ 340. Apenas dois são alugados, todos os demais são ocupados pelos próprios proprietários. A reportagem do iG teve acesso ao último andar do edifício, que tem vista para todo o espaço do Hotel Gloria. O que se vê ali é um grande canteiro de obras, onde apenas o esqueleto externo do prédio foi mantido de pé. A piscina e a academia, antes localizadas sobre uma grande pedra no lado esquerdo, foram demolidas. As britadeiras agora dão conta de deixar o solo na altura da rua.

A barulheira incomoda a todos, claro, mas é pensando que dias melhores virão que os moradores mantêm a esperança de ter de volta a vida sossegada de sua rua. Há os que enxergam o lado positivo das obras. “O bairro deve ficar mais valorizado. Todo mundo vai querer vir morar na Glória. Só que a gente chegou primeiro”, avisa a moradora Otilde Bandiro.

A previsão é que o hotel esteja em funcionamento para a Copa de 2014.

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