Na Vila Cruzeiro, traficantes dão lugar à venda de TV a cabo

Empresas de televisão por assinatura já montavam tendas para negociar pacotes na favela

Agência Estado |

Os traficantes saíram, e quem chegou foram as TVs por assinatura. Hoje pela manhã, na Vila Cruzeiro, cerca de cinquenta pessoas se aglomeravam ao redor de uma mesa com guarda-sol vermelho onde vendedores de planos de televisão por satélite tentavam angariar os novos clientes em potencial. Esse é um dos sinais de que pouco a pouco as coisas na favela, um dos bastiões da facção Comando Vermelho há até poucos dias, começam a se acalmar.

O pacote mais barato vendido pela NET e pela Sky sai a por R$ 49,90, com quase 90 canais. O morador J. S., de 56 anos, era um dos interessados no plano. "A gente não podia ter TV a cabo, pois éramos dominados por traficantes. Quem iria subir o morro para instalar a antena daquele jeito?", diz. Ele afirma que ainda tem a 'gatonet' (ligação clandestina) em casa. "Mas agora quero assinar porque posso escolher os canais que mais gosto."

O clima na Vila Cruzeiro também estava muito mais calmo do que na sexta-feira, quando, apesar da ocupação dos policiais, os moradores ainda estavam apreensivos pela possibilidade de novos confrontos.

Hoje, os comércios abriram as portas, equipes da Light consertavam a fiação danificada pelos carros queimados e moradores pintavam as fachadas das casas atingidas pelo fogo.

Isso não significa, porém, que a vida na favela está totalmente tranquila. Ainda não há luz - e nem previsão para que os cerca de 20 fios, postes e transformadores queimados sejam consertados - e homens da Polícia Militar e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM circulavam portando fuzis e abordando moradores para serem revistados.

Além disso, o tráfego de carros, caminhonetes e outros veículos oficiais com destino ao Complexo do Alemão era intenso. Por volta das 11h, por exemplo, três blindados da Marinha cruzaram as principais vias da favela em direção ao complexo vizinho.

No caminho, fios de energia eram cortados por um militar para permitir a passagem do veículo e um Fiat Siena de uma moradora da favela acabou bastante danificado por um condutor um pouco menos cauteloso. "Não sei direito para quem reclamar, mas que eu vou exigir que consertem meu carro, eu vou", disse a proprietária.

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