Ministro Jobim diz que não se pode 'misturar as coisas'. Para Temer, presidente em exercício, País bem armado evita conflito

Cinco dias depois do ataque a uma escola na zona oeste do Rio que matou 12 crianças e em meio à discussão nacional sobre o Desarmamento, para evitar casos semelhantes e reduzir mortes violentas, a cidade recebe a maior feira de Defesa e armas da América Latina, a LAAD (Latin American Aero & Defence).

Apesar do momento delicado, o evento começou prestigiado pelo presidente da República em exercício, Michel Temer, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral. O prefeito Eduardo Paes foi ao local.

A feira ocupa dois pavilhões do Riocentro, principal centro de convenções do Rio e reúne expositores de todo tipo de equipamento de defesa e segurança pública. De artilharia antiaérea, aviões caças, radares, tanques, carros blindados a fuzis, pistolas, mísseis, tudo o que diz respeito a Defesa está sendo exibido no Rio.

A oitava edição tem 668 expositores, quase o dobro da última, em 2009 (336) e espera mais de 20 mil visitantes. O público é composto por militares, policiais, representantes diplomáticos e de governos - inclusive ministros da Defesa - e executivos da indústria de defesa, e deve ter mais de 45 delegações estrangeiras.

Para o presidente em exercício, Temer, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, não há constrangimento no fato de o País sediar o evento neste momento. De acordo com Jobim, não se pode “confundir as coisas”.
“Não é uma situação delicada porque não há relação. Estamos tratando de Defesa e Segurança [na feira]. Ou vocês acham que devemos sair do Alemão [Exército mantém Força de Pacificação no conjunto de favelas] porque aconteceu esse fato [o ataque à escola]? Ou a ocupação do Alemão não foi uma boa solução? [A feira] É uma solução que diz respeito a Defesa, não a agressões, a delitos, como foi o caso do Rio [atentado]”, afirmou o ministro.

“Esse fato que ocorreu no colégio, lamentabilíssimo, isso determinaria que deveríamos abandonar o cerco do Alemão e descer de todo o Complexo do Alemão e da Penha, onde temos mais de mil homens? Isso não é possível. Não vamos confundir as coisas”, disse Jobim.

Michel Temer não abordou diretamente a questão, mas afirmou, no discurso de abertura que o evento de Defesa “colabora para a paz”, por evitar conflitos.

“Faz a integração entre os setores público e privado de vários países. Na verdade funciona [para a paz] na medida em que a Defesa dos países, estando bem aparelhada, funciona como elemento dissuasório de qualquer conflito”, disse.

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