Na semana seguinte a tragédia da escola, Rio sedia feira de armas

Ministro Jobim diz que não se pode 'misturar as coisas'. Para Temer, presidente em exercício, País bem armado evita conflito

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Cinco dias depois do ataque a uma escola na zona oeste do Rio que matou 12 crianças e em meio à discussão nacional sobre o Desarmamento, para evitar casos semelhantes e reduzir mortes violentas, a cidade recebe a maior feira de Defesa e armas da América Latina, a LAAD (Latin American Aero & Defence).

Apesar do momento delicado, o evento começou prestigiado pelo presidente da República em exercício, Michel Temer, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral. O prefeito Eduardo Paes foi ao local.

A feira ocupa dois pavilhões do Riocentro, principal centro de convenções do Rio e reúne expositores de todo tipo de equipamento de defesa e segurança pública. De artilharia antiaérea, aviões caças, radares, tanques, carros blindados a fuzis, pistolas, mísseis, tudo o que diz respeito a Defesa está sendo exibido no Rio.

A oitava edição tem 668 expositores, quase o dobro da última, em 2009 (336) e espera mais de 20 mil visitantes. O público é composto por militares, policiais, representantes diplomáticos e de governos - inclusive ministros da Defesa - e executivos da indústria de defesa, e deve ter mais de 45 delegações estrangeiras.

Para o presidente em exercício, Temer, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, não há constrangimento no fato de o País sediar o evento neste momento. De acordo com Jobim, não se pode “confundir as coisas”.
“Não é uma situação delicada porque não há relação. Estamos tratando de Defesa e Segurança [na feira]. Ou vocês acham que devemos sair do Alemão [Exército mantém Força de Pacificação no conjunto de favelas] porque aconteceu esse fato [o ataque à escola]? Ou a ocupação do Alemão não foi uma boa solução? [A feira] É uma solução que diz respeito a Defesa, não a agressões, a delitos, como foi o caso do Rio [atentado]”, afirmou o ministro.

“Esse fato que ocorreu no colégio, lamentabilíssimo, isso determinaria que deveríamos abandonar o cerco do Alemão e descer de todo o Complexo do Alemão e da Penha, onde temos mais de mil homens? Isso não é possível. Não vamos confundir as coisas”, disse Jobim.

Michel Temer não abordou diretamente a questão, mas afirmou, no discurso de abertura que o evento de Defesa “colabora para a paz”, por evitar conflitos.

“Faz a integração entre os setores público e privado de vários países. Na verdade funciona [para a paz] na medida em que a Defesa dos países, estando bem aparelhada, funciona como elemento dissuasório de qualquer conflito”, disse.

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