MP do Rio denuncia quatro grupos formados por policiais civis e PMs

Agentes são acusados de envolvimento com milícias, jogos de azar e repasse de informações e armas a traficantes

iG Rio de Janeiro |

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou nesta sexta-feira (18) quatro grupos criminosos, formados por policiais civis e militares, deflagrados na Operação Guilhotina , da Polícia Federal. De acordo com o MP, atuando em delegacias ou em posições estratégicas da Segurança Pública, esses agentes utilizavam-se das facilidades proporcionadas pelos cargos que exerciam.

Em uma das denúncias, promotores de Justiça do MP sustentam que as atividades ilícitas do grupo de milicianos que atuava na Favela Roquete Pinto, em Ramos, na zona norte do Rio, eram facilitadas pelo ex-subchefe operacional de Polícia Civil Carlos Antonio Luiz de Oliveira.

Segundo o MP, Oliveira “atuava controlando as autoridades policiais das delegacias nas quais os milicianos exerciam suas funções, de modo a permitir as empreitadas delituosas para a aquisição de armas e outros ‘espólios de guerra’”.

Nesse caso, foram denunciados quatro policiais civis, seis PMs (um deles da reserva) e três traficantes, além de Oliveira e mais sete pessoas que controlavam serviços como o transporte alternativo, segurança privada, sinal pirata de TV a cabo e distribuição de gás e água na Favela Roquete Pinto.

Em um trecho da denúncia, promotores comentaram também que, em duas operações comandadas pelo ex-subchefe operacional, em 2005 e em 2008, parte do grupo apropriou-se de armas e munições, algumas para serem revendidas e outras para o uso próprio.

Suborno

Na segunda denúncia, promotores da 1ª Central de Inquéritos acusam sete pessoas – sendo três policiais civis e dois PMs – de atuarem em uma quadrilha que “se aproveitava da confiança que lhe era depositada e do local de trabalho (no caso, a Delegacia de Combate às Drogas)” para se apropriar de bens e valores de criminosos.

De acordo com as apurações, os denunciados faziam apreensões em territórios dominados por uma facção criminosa e revendiam o material apreendido para integrantes de grupos rivais, liderados pelos traficantes Nem, da Rocinha, e Roupinol, do Morro de São Carlos.

Também, de acordo com a denúncia, quatro policiais teriam negociado propina com os traficantes, recebendo em troca um pagamento mensal de R$ 50 mil para o repasse de informações sobre operações policiais.

Complexo do Alemão e jogos de azar

A terceira denúncia aponta o envolvimento de quatro PMs na apropriação de bens de traficantes durante a ocupação do Complexo do Alemão. A prática foi flagrada em gravações telefônicas entre os acusados, realizadas com autorização da Justiça.

A quarta denúncia cita o envolvimento de dez PMs, dois policiais civis e mais uma pessoa na prestação de segurança privada, mediante pagamento, em estabelecimentos nos quais eram praticados crimes e contravenções. Os acusados atuariam, em grupos específicos, em casas de exploração de jogos de azar e caça-níqueis em, pelo menos, três imóveis, localizados em Botafogo, Bonsucesso e Barra de Guaratiba.

O MPRJ informou que aguarda a chegada de mais documentos que visam à apuração exata das condutas, localização de casas de jogos e identificação de possíveis policiais que teriam recebido vantagens indevidas para eventuais complementos à denúncia.

As acusações das quatro denúncias enquadraram-se nos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e/ou ativa, peculato e violação de sigilo funcional, entre outros, que variam de acordo com a conduta individual de cada acusado.

Assinaram as denúncias os promotores de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, Alexandre Murilo Graça, Márcio José Nobre de Almeida e Luis Otávio Figueira Lopes.

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