Segundo hospital, jovem de 19 anos foi internada com sintomas da doença e pressão baixa

Fernanda Cristina tinha 19 anos
Arquivo pessoal
Fernanda Cristina tinha 19 anos
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro vai investigar a morte de uma jovem de 19 anos ocorrida na noite do último sábado (2) por suspeita de dengue hemorrágica, no Hospital Barra D´Or, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. A pasta informou que aguarda a notificação da unidade onde ocorreu o óbito para então enviar uma amostra colhida da vítima para análise laboratorial.

O resultado do teste vai apontar se o óbito foi causado ou não por dengue hemorrágica. A secretaria informou ainda que não há como estipular um prazo para o resultado do laudo. Em alguns casos de menor complexidade, a resposta pode sair em até dois dias. Em compensação, já houve casos onde o resultado demorou cerca de 1 mês para ficar pronto.

De acordo com o Hospital Barra D´Or, a universitária Fernanda Cristina Carvalho de Souza Freitas, chegou à unidade passando mal e com sintomas de dengue hemorrágica. Segundo os médicos, a jovem estava com a pressão muito baixa e passava mal. Antes do óbito, eles ainda tentaram reanimar a paciente por aproximadamente de 1 hora.

Familiares da vítima relataram que, antes de ir ao Hospital Barra D´Or, ela teria ido ao Hospital da Barra, antiga Clínica São Bernardo, no mesmo bairro. Lá, no entanto, uma médica teria dado alta à universitária. Fernanda cursava Pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O enterro ocorreu na tarde de domingo (3) no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.

Familiares colocaram uma nota de falecimento no perfil da jovem no Orkut
Reprodução
Familiares colocaram uma nota de falecimento no perfil da jovem no Orkut

" Houve falha", diz padrasto

O padrasto de Fernanda, o oftamologista Marco Areal, afirmou ao iG acreditar que houve falha do Hospital da Barra.

"Fernanda não estava bem e recebeu alta. O Hospital da Barra deu apenas uma receita médica para ela. Minha enteada chegou em estado de choque ao Barra D´Or, com o pulso fraco e hipotermia. Não sei qual foi o motivo deles não terem internado ela. Esses hospitais costumam priorizar os casos cirúrgicos em vez dos clínicos", disse ele, se referindo ao Hospital da Barra.

Marco afirmou que Fernanda começou a passar mal na última terça-feira (29). Chegou a procurar um posto de saúde e, no dia seguinte, fez um exame de sorologia em um hospital da Tijuca, na zona norte, que não indicou dengue.

"Após a negativa do exame, o hospital recomendou repouso e ingestão de muito líquido mas no sábado ela piorou", afirmou.

O padastro da jovem disse que a família está muito abalada e que vai aguardar alguns dias para decidir que providência tomar contra o Hospital da Barra.

"Foi um episódio trágico. Estamos à mercê de um mosquito", afirmou.

Hospital da Barra se defende

Em nota, o Hospital da Barra informou que Fernanda foi atendida por volta das 9h do último sábado (2) e submetida a exames laboratoriais e físicos que apontaram que seus sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura axilar e saturação de oxigênio) e nível de plaquetas e leucócitos estavam normais.

Segundo o hospital, diante de um quadro geral que não apontava sintoma grave de dengue, mas uma leve desidratação, a jovem foi colocada em repouso, medicada e hidratada. Em função de ter apresentado melhora dos sintomas apresentados, ela foi liberada por volta das 12h e orientada a retornar para atendimento médico, caso houvesse mudança do quadro.

A direção da unidade informou lamentar a morte de Fernanda mas esclarece que a paciente não voltou a procurar o hospital .

Balanço

Segundo balanço divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro na última quarta-feira (30), 23 pessoas já morreram de dengue no Estado este ano. Até o momento, foram notificados 31.412 casos da doença. A capital fluminense computa sete óbitos, nenhum ainda por dengue hemorrágica.

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