Moradores fazem milícias e rondas contra saques em Teresópolis

Usando porretes, pedaços de ferro e até enxadas e picaretas, homens do bairro Caleme se uniram em grupos substituindo a polícia

Raphael Gomide, enviado a Teresópolis |

Às 3h do sábado seguinte à tragédia que matou ao menos 26 pessoas no bairro Caleme, em Teresópolis, um homem de meia idade sem camisa e descalço se deparou com um grupo de 12 moradores do bairro. Eles tinham lanternas, porretes e pedaços de ferro nas mãos. “O senhor vai aonde? Quem é o senhor?”, perguntaram.

Com o bairro devastado e sem luz até segunda-feira e os primeiros casos de furto noticiados, os jovens da área montaram uma espécie de milícia e passaram a fazer rondas em grupos, com lanternas, porretes, pedaços de ferro e até enxadas como armas.

“Ninguém aqui tem arma, então a gente se armou como deu. Montamos uma guarda, com base na escola, onde tínhamos um fogão e mantimentos, e ficávamos fazendo as rondas, vigiando a noite toda”, contou Márcio Pinheiro.

“Não tinha polícia aqui. Depois, quando a PM chegou, ficava dentro do carro, não rodava. A gente fez papel da polícia”, disse Leonardo Morais.

De acordo com os moradores, nos primeiros dias após a tragédia botijões de gás foram furtados, e estranhos batiam à porta de pessoas do bairro oferecendo água e vela. Segundo eles, “era para ver maneira de ver se havia alguém em casa. “Nós resguardamos os pertences da comunidade, e o pessoal [ladrão] recuou”, disse o garçom Fabiano Firmiano.

O homem abordado na rua pelo grupo de moradores não recuou no primeiro momento e chegou a sacar um tchaco, de acordo com eles. “Ele falou que queria subir, que a gente não podia impedi-lo, mas no fim acabou convencido por um policial militar, que fomos chamar”, disse Eder de Souza Silva.

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