Morador de prédio assaltado na Tijuca diz que bandidos ameaçaram matar sua mãe

Criminosos fizeram de refém duas mulheres que estavam com bebês no colo

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

O estudante de Direito Caio Cardoso da Silveira, de 22 anos, disse que ficou refém por cerca de uma hora durante o assalto a um prédio residencial na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (15).

Pelo menos seis bandidos invadiram o edifício, que foi cercado por PMs. Houve troca de tiros e um policial foi baleado. Os criminosos fugiram e estão sendo procurados em ruas próximas.

Segundo o estudante, o apartamento onde ele mora foi usado como "QG" (quartel-general) dos bandidos. Caio disse que foi rendido por três homens armados de pistola quando chegava na portaria. Ele saia do elevador ao lado do pai com quem iria na padaria.

"Eles apontaram as armas e nos renderam anunciando o assalto. Perguntaram onde eu morava e falaram que minha casa seria o QG deles. No elevador também estava um casal com um bebê de colo que também foi levado para a minha casa", relatou

Segundo Caio, apenas dois dos criminosos foram até o apartamento, que fica na cobertura. No local, estavam a sua mãe, um irmão do estudante e um amigo. Os bandidos recolheram alguns lençóis e, de acordo com o jovem, o obrigaram a amordaçar os reféns.

"Ele (o bandido) disse para eu amarrar minha mãe, meu pai e todo mundo que estava na casa pelas mãos e pés. Mesmo estando calmo, ele ameaçava matar minha mãe", contou.

"Enquanto isso, eles buscavam malas dentro da minha casa, onde colocavam lap tops, TVs, tudo que encontravam de valor em meu apartamento", explicou o estudante.

Água para os reféns

Caio disse ainda que, durante a ação, outros moradores foram levados para seu apartamento. "Cada um que ia chegando, eu era obrigado a amordaçar. Foi quando chegou mais um casal com um bebê de colo", acrescentou

"O bandido que ficou ao meu lado estava muito tranquilo. Ele me mandou oferecer água para as mulheres e também não quis que elas fosse amarradas. Os bebês choravam mas ele não se mostoru irritado", revelou o estudante.

Caio disse que, depois de uma hora sob a mira dos bandidos, um deles recebeu um telefonema pelo celular avisando sobre um "problema" no prédio.

"Ele disse que teria que descer e me levaria como escudo. Quando chegamos no segundo andar, a polícia estava a nossa espera. Eles me deixaram fugir e escaparam pelo playground cujos fundos dá acesso a mata", contou Caio.

Para o jovem, os bandidos pareciam ser profissionais. "Foi muita ousadia eles promoverem um arrastão em um prédio que fica bem próximo de uma UPP. Em momento algum, pareciam nervosos. A sensação que eu tive foi a que tinham certeza do que estavam fazendo", opinou.

De acordo com o estudante, nenhum morador se feriu. Caio contou apenas que sofreu um corte na perna após um dos bandidos usar uma faca para cortar o lençol que prendia os seus pés, já que ele também foi amarrado.

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