Milicianos mandavam testemunhas desmentir denúncias e as matavam

De acordo com o MP, pelo menos 10 pessoas foram mortas nos últimos três meses

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Fernando Quevedo / Agência O Globo
Policiais civis cumprem mandado na casa de um suspeito de integrar a milícia de Duque de Caxias
Os integrantes da milícia desarticulada nesta quarta-feira (7) pela Polícia Civil coagiam as testemunhas convocadas pela Justiça a desmentir o que haviam relatado e depois as matavam. De acordo com o promotor Décio Gonçalves, do Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado Rio de Janeiro (MP-RJ), em um dos casos, os criminosos mandaram uma vitima ir a um cartório para oficializar o que estava desmentindo.

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“Chegaram a tornar oficial uma mentira”, disse o promotor. A vitima em questão foi identificada apenas como Lucas e era dona de um deposito de gás no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, área de atuação do grupo criminoso. Ele teria feito denúncias à polícia após ser obrigado a pagar taxas mais altas aos milicianos.

No total, estão sendo cumpridos na ação desta quarta-feira 28 mandados de prisão. A operação busca prender os mesmos criminosos que foram detidos em 2010 em outra ação policial. Na ocasião, foram presos 34 integrantes da quadrilha. Em novembro de 2011, no entanto, 30 deles foram soltos.

Segundo o GAECO, desde que eles recuperaram a liberdade, pelo menos 10 pessoas, que contribuíam direta ou diretamente com a Justiça, foram mortas. Além do dono do deposito de gás, está entre as vitimas um policial militar reformado, identificado como Nelson Coutinho, que passava informações para as autoridades e um homem que praticava pequenos crimes em Duque de Caxias. Ele foi ameaçado por milicianos, resolveu entregá-los e foi morto.

“Essas pessoas foram assassinadas com muitos tiros, fuziladas. Em alguns casos, os crimes foram até gravados”, informou Décio Gonçalves. Por causa desses crimes, o Ministério Público teve que mudar a forma de arrolar testemunhas. A partir de agora, o órgão não coloca mais os nome das pessoas nas denúncias e nos inquéritos policiais.

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