"Mesmo convicto de minha inocência, vou ajudar a família do Wanderson", diz Thor

Filho do empresário Eike Batista prestou depoimento de duas horas na delegacia de Xerém. Polícia não revelou o que ele disse

Felipe Martins, especial para o iG |

Pablo Jacob/Agência O Globo
Thor Batista prestou depoimento hoje na delegacia de Xerém
Após prestar depoimento por cerca de duas horas na delegacia de Xerém (61ª DP), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o empresário Thor Batista deixou o local por volta das 14h30 desta quarta-feira (21). Aos jornalistas, ele disse ser inocente e prometeu, mais uma vez, ajudar a família do ciclista Wanderson Pereira da Silva, de 30 anos, morto após ser atropelado pelo carro do filho de Eike Batista, no último sábado (17), na rodovia BR-040.

"Lamento profundamente isso tudo. Mesmo convicto da minha inocência, vou prestar todo auxílio necessário à família do Wanderson", disse Thor.

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Thor chegou à delegacia por volta das 9h. O advogado do rapaz, Celso Villardi, afirmou que o caso só teve repercussão pelo fato de o jovem ser filho de Eike Batista. "Se ele nao fosse filho de quem é, é provável que esse caso não tivesse tanta repercussão. Pelo que se sabe, esse tipo de acidente acontece com muita frequência nesta rodovia", afirmou.

Questionado a respeito dos 51 pontos que Thor teria na carteira em razão de ter cometido infrações, Villardi afirmou que o cliente comprou e se desfez de vários carros nos últimos anos e que as multas poderiam ser de outras pessoas que usaram os mesmos veículos. Sobre isso, acrescentou que motoristas e seguranças dirigiam mais vezes os carros do cliente do que o próprio Thor.

Villardi afirmou ainda que o veículo usado por Thor continua à disposição da polícia. "O carro está à disposição para quantas perícias forem necessárias. Ele está intocável", disse.

Novas perícias

O delegado Mário Arruda, que ouviu Thor, não quis adiantar o conteúdo do depoimento do filho de Eike Batista sob alegação de que não quer influenciar no depoimento de outras testemunhas que aparecerem futuramente. Dois motoristas já foram ouvidos.

Sobre a posição do ciclista no momento do atropelamento, o delegado afirmou que a hipótese mais provável é de que ele estivesse no meio da pista.

"A princípio, a vítima estava no meio da pista atravessando a estrada", explicou.

Arruda afirmou não descartar a possibilidade de uma nova perícia ser feita no veículo envolvido no acidente. Segundo ele, ainda falta descobrir qual a velocidade que Thor trafegava quando houve o atropelamento. A velocidade máxima permitida no trecho da rodovia era de 100 km/h. Segundo o policial, caso ele tenha ultrapassado o limite, poderá ser indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

Questionado sobre o veículo de Thor ter sido retirado do local do acidente, o delegado explicou que uma minuciosa perícia foi feita no carro no próprio lugar do atropelamento, onde tudo de fundamental foi colhido. Disse ainda que a segunda perícia, feita na garagem da casa onde mora o jovem, foi a pedido de um perito, que pretendia esclarecer algumas dúvidas.

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