Mesmo com caminhões frigoríficos, IML de Teresópolis ainda registra confusão

Familiares reclamam da espera de mais de quatro horas para a identificação de corpos; mau cheiro toma conta do local

Flávia Salme, enviada a Teresópolis |

Apesar de três caminhões frigoríficos estarem sendo usados para a acomodação dos corpos da tragédia em Teresópolis, ainda há muita confusão na porta da 110ª DP, onde funciona o IML da cidade. Ao longo desta sexta-feira (14), parentes reclamaram da demora para a identificação e liberação dos cadáveres. Houve tumulto e a polícia precisou agir para evitar discussões mais sérias. O juiz José Ricardo Aguiar, da 2ª Vara de Família, chegou a subir na parte alta do galpão que está sendo usado como anexo do IML para pedir calma às pessoas.

Na fila há mais de quatro horas para localizar parentes, Lieze Madureira, de 42 anos, condenou a demora, mas agradeceu a chegada dos frigoríficos. "O mau cheiro aqui está muito forte, é melhor congelar. Demora, mas eu acho que é o certo", opinou. Lieze morava no bairro de Campo Grande, um dos mais atingidos, e perdeu sete pessoas da família. "Até agora só uma foi reconhecida, ainda falta muita gente", falou.

Para enfrentar o odor que se espalha pelo local, pessoas protegem o nariz com pedaços de lenços ou das  roupas que vestem. Os que ganham máscaras, não as tiram nem quando deixam o IML.

O vendedor Marco Aurélio de Lima considerou o congelamento importante, mas reclamou da dificuldade para enterrar a mãe, o irmão e dois sobrinhos. "Não moro aqui, vim só para garantir o enterro. Preenchi a ficha de identificação três vezes, porque perdem os documentos. Fui informado que meus parentes poderiam ser levados para o cemitério às 8h, mas já são 17h e ainda estou aqui", reclamou.

A família de Ana Cláudia Lopes de Souza também estava indignada. "Ela foi encontrada ontem e foi trazida para cá. Desde então, já perderam a identificação dela. Tive de entrar no caminhão para ver se localizava seu corpo. Agora, fui informado de que não há mais caixão para o sepultamento. Eu e meu pai estamos aqui desde de manhã", disse um dos irmãos da vítima.

Peritos que trabalham no IML disseram que há muitos corpos no local e que o trabalho precisa ser feito com cuidado, para não haver erros. Mas reconhecem que a demora deixa os familiares nervosos. "Isso aqui está um caos, estamos fazendo o melhor possível", disse o profissional, que pediu para não ter o nome divulgado na reportagem.

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