Menina em coma pode ter sido atendida por falso médico

Polícia vai ouvir coordenador de emergência do hospital onde criança foi atendida. Laudo preliminar também aponta que garota sofreu maus-tratos

Bruna Fantti e Daniel Gonçalves, especial para o iG |

O titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), Luiz Henrique Marques, afirmou ao iG que deve intimar hoje para depor o coordenador da emergência do Hospital RioMar, na Barra da Tijuca, Antônio Carlos Bastos, e uma médica que trabalha no local. Marques quer identificar o possível falso médico que atendeu a menina Joanna Marcenal, de 5 anos, na unidade de saúde. A criança permanece internada em coma no CTI do Hospital Amiu, em Botafogo. Segundo o delegado, o médico André Lins de Almeida confirmou que o registro no Conselho Regional de Medicina que aparece no prontuário de atendimento é seu, mas disse que nunca trabalhou no RioMar tampouco atendeu a menina.

O delegado quer saber como são feitas as contratações e o pagamento de médicos no RioMar. “Precisamos saber como são realizadas as contratações de médicos e o pagamento. Se esse possível falso médico, que teria usado o registro de outro profissional, recebeu o pagamento em cheque nós podemos rastreá-lo”, afirmou Marques ao iG . De acordo com o titular da DCAV, além do exercício irregular da medicina, há hipótese de erro médico já que Joanna só foi atendida pelo suposto falso médico na terceira vez que esteve no RioMar.

Um laudo provisório do Instituto Médico Legal aponta que a garota também foi vítima de maus-tratos. A queimadura encontrada nas nádegas de Joanne foi provocada entre 30 e 45 dias atrás, quando ela estava sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Martins. “É necessário fazer um segundo exame na menina, que só vai ser possível quando ela melhorar. A menina ainda está em estado muito grave. Eu já tenho as minhas convicções e um suspeito principal que, se ficar comprovado o crime, vai ser indiciado por maus-tratos”. O delegado informou que a queimadura nas nádegas não tem ligação com o edema cerebral identificado na menina, e que as hipóteses de maus-tratos e erro médico não são excludentes.

A mãe da menina, a médica Cristiane Marcenal, acusa o pai de maus-tratos contra a filha. Já ele nega e diz que quando conseguiu a guarda da criança, há cerca de quatro meses, ela já tinha as marcas pelo corpo. Os dois travam uma batalha pela guarda de Joanna desde o seu nascimento. O pai diz ainda que não foi informado por Cristiane que Joanna tomava remédios controlados para evitar convulsões.

No dia 22 de junho o iG noticiou que Joanna não tinha morte cerebral, conforme foi cogitado quando ela deu entrada no Hospital Amiu, no dia 19. O Coordenador-Médico do CTI da unidade, Hilton Correia, afirmou que a menina não teve morte cerebral, embora o quadro de saúde dela fosse gravíssimo. Joanna continua em coma profundo, porém o edema cerebral apresentou melhoras. 

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