Manifestação marca 3 anos do desaparecimento de engenheira no Rio

Familiares e amigos de Patrícia Amieiro Franco levaram cartazes e plantaram uma palmeira no local onde a jovem sumiu em 2008

iG Rio de Janeiro |

Familiares e amigos da engenheira Patrícia Amieiro Franco realizaram no início da tarde deste sábado (18) uma manifestação na saída do Túnel do Joá, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Ela desapareceu no local há três anos, no dia 14 de julho de 2008, quando voltava de um show no Morro da Urca, na zona sul da capital fluminense.

O carro da engenheira, na época com 24 anos, foi encontrado no Canal Marapendi, alvejado por tiros, mas o corpo da jovem tinha desaparecido. Policiais militares são suspeitos de terem efetuado os disparos contra o automóvel e sumido com o corpo de Patrícia.

A manifestação deste sábado contou com cartazes, faixas e um painel de cinco metros com a foto da engenheira. Durante o protesto, o irmão de Patrícia plantou uma palmeira de três anos, mesmo tempo em que a jovem está desaparecida.

Pessoas que já perderam parentes em casos de violência urbana no Rio, como familiares da menina Gabriela Prado , morta em 2003, e do adolescente Daniel Duque , assassinado em 2008, também estiveram na manifestação.

Futura Press
Familiares e amigos da engenheira Patrícia Amieiro Franco fazem manifesto no Rio
Morte presumida

Na sexta-feira (17), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro declarou a morte presumida da engenheira Patrícia Amieiro Franco. O pedido foi feito pelo pai da vítima, Antônio Celso de Franco.

Para a juíza Flávia de Castro, da 6ª Vara Cível da Barra da Tijuca, as declarações juntadas aos autos não deixam resquício de dúvida de que Patrícia possuía vínculos muito estreitos com seus familiares e amigos, além da foto do carro dela e o local onde foi encontrado não deixarem dúvida de que a jovem não poderia ter saído viva do veículo, já que na denúncia do Ministério Público consta existirem marcas de penetração de bala no automóvel.

“Por todo o exposto, a única dúvida que permanece com relação a esta tragédia é saber onde se encontra o corpo de Patrícia, visto que o óbito é indiscutível. Caberá à justiça criminal, sendo tal possível, localizar o corpo de delito”, declarou a magistrada na sentença.

Relembre o desaparecimento

Bonita, estudiosa e fã de música baiana, a engenheira de produção formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sumiu quando voltava sozinha de carro de um show no Morro da Urca, na zona sul da capital fluminense.

O automóvel recém-comprado com o salário de seu emprego em uma empresa multinacional foi encontrado no Canal Marapendi, alvejado por tiros, com o vidro traseiro quebrado, uma pedra próxima ao pedal e com o cinto de segurança afivelado. O corpo da jovem, no entanto, tinha desaparecido .

Próximo ao local do acidente, dois policiais militares lotados no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estavam de plantão em uma viatura. Eles foram os primeiros a chegar ao carro e alegaram não ter visto ninguém dentro do automóvel.

Após diversas suposições, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) concluíram que no dia do acidente Patrícia seguia pela Auto-Estrada Lagoa-Barra em alta velocidade. Os policiais teriam ordenado que a engenheira parasse e, como isso não aconteceu, eles atiraram.

Pelo menos três tiros atingiram o carro de Patrícia, sendo dois no capô e um no para-brisa dianteiro. Apesar dos projéteis terem se fragmentado, foi possível constatar que um dos tiros partiu da pistola calibre 40 usada por um dos policiais que estava de plantão.

Após os disparos, a vítima perdeu o controle do carro e caiu pela ribanceira. Seu corpo não teria sido arremessado por causa do cinto. Minutos depois do acidente, outra viatura da PM chegou ao local. Dois agentes teriam sido chamados para ajudar a retirar o corpo de Patrícia do carro. Para tal, o banco foi rebaixado e o cinto permaneceu afivelado.

Processo na Justiça

Um ano e dez dias após o desaparecimento de Patrícia, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva dos quatro policiais militares envolvidos no caso. Willian Luís do Nascimento e Marcos Paulo Nogueira Maranhão respondem por homicídio e ocultação de cadáver . Fábio da Silveira Santana e Márcio de Oliveira dos Santos respondem somente por ocultação de cadáver

Em setembro de 2009, o 1º Tribunal do Júri da capital resolveu revogar a prisão preventiva dos réus por falta de motivos para justificar a medida. Desde então, os policiais respondem ao processo em liberdade e trabalham na área administrativa do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes).

Em maio de 2010, a Polícia Militar divulgou o resultado de um inquérito realizado pela corporação. De acordo com a investigação, faltam indícios que comprovem o envolvimento dos PMs no desaparecimento de Patrícia.

Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, a última audiência do caso foi realizada em abril deste ano. O juiz responsável pelo julgamento solicitou novos documentos para serem anexados aos autos para então marcar a próxima data. Quando a audiência acabar, o magistrado irá decidir se os policiais militares vão ou não a júri popular.

“Gostaria de enterrar o corpo da minha filha. Isso aliviaria parcialmente a dor e daria um pouco de paz para mim e minha mulher. Até hoje acordamos achando que a Patrícia está viva, dormindo no quarto dela. Mas, infelizmente, é muito triste saber que ela não virá mais ao nosso quarto para nos acordar com o seu sorriso”, disse o pai da engenheira, Celso Franco, ao iG .

Confira o story board sobre o desaparecimento da engenheira Patrícia:

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