Manifestação relembra dois anos de desaparecimento de engenheira

Ocorrido em junho de 2008, caso permanece sem conclusão e policiais militares indiciados respondem a processo em liberdade

iG Rio de Janeiro |

Centenas de pessoas são esperadas neste sábado em um manifesto para marcar os dois anos do desaparecimento da engenheira Patrícia Franco, ocorrido no dia 14 de junho de 2008, no Rio de Janeiro. O protesto acontecerá na saída do Túnel Lagoa-Barra, sentido Barra da Tijuca, local onde teria acontecido o acidente com Patrícia.

Reprodução
A engenheira Patrícia Franco em foto de família ao lado do seu cachorro do raça pit-bull
Jovem, bonita e trabalhando em uma empresa multinacional, a engenheira de produção teve sua trajetória interrompida no dia do aniversário do pai, quando voltava sozinha de carro de um show no Morro da Urca, na zona sul do Rio. Seu veículo foi encontrado no Canal Marapendi, alvejado por tiros, com o vidro traseiro quebrado, uma pedra próxima ao pedal e com o cinto de segurança afivelado, mas seu corpo tinha desaparecido.

Próximo ao local do acidente, dois policiais militares lotados no 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estavam de plantão em uma viatura. Na ocasião, eles foram os primeiros a chegar ao carro e alegaram não ter visto ninguém dentro do automóvel.

Após diversas suposições e avaliações de peritos, concluiu-se que no dia do acidente Patrícia seguia pela Auto-Estrada Lagoa-Barra em alta velocidade. Os policiais teriam ordenado a engenheira parar e, como isso não aconteceu, eles atiraram. A vítima perdeu o controle do carro e caiu pela ribanceira. Seu corpo não teria sido arremessado por causa do cinto. Outra viatura da PM chegou ao local e esses agentes ajudaram a retirar o corpo de Patrícia. Para tal, o banco foi rebaixado e o cinto permaneceu afivelado.

Justiça

Um ano após o acidente, em junho de 2009, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro policiais militares após pedido do Ministério Público. Marcos Paulo Nogueira e Wiliam Luís do Nascimento respondem por homicídio e ocultação de cadáver. Já Márcio Paulo e Luís Armando respondem apenas pelo crime de ocultação.

Em setembro do mesmo ano, o 1º Tribunal do Júri da capital, resolveu revogar a prisão preventiva dos réus por não subsistirem motivos para justificar tal medida. Desde então, os policiais respondem ao processo em liberdade. “A demora da Justiça é muito cruel e morosa. Os bandidos estão soltos por aí, podendo fazer mal a outras famílias”, avalia o pai de Patrícia, o analista de Sistemas Celso Franco, ao iG.

No último mês de maio, a Polícia Militar do Rio divulgou o resultado de um inquérito realizado pela corporação: faltavam indícios que comprovassem o envolvimento dos PMs no crime. “Não encontramos nenhum fato ou dado que pudesse indiciar os policiais militares nessa atividade criminosa”, informou o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, na época. “O inquérito não tem por objetivo inocentar, tampouco condenar ninguém. Essa é tarefa da Justiça”, completou.

“O comando é um corporativismo só entre os policiais militares. Um acoberta o outro. A Corregedoria da PM achou que os policiais não tinham culpa de nada. Esse esquema deles julgando eles mesmos não adianta”, revolta-se Celso Franco.

Próximos passos

Uma nova audiência será realizada em julho. Na sessão, serão ouvidas testemunhas do processo e a Justiça irá decidir se os policiais indiciados irão ou não a júri popular. O pai de Patrícia diz esperar que o sofrimento, que se prolonga por dois anos, esteja próximo do fim e que os culpados sejam punidos.

“Trabalhava em Brasília e não estou mais, fui transferido para o Rio. Não consigo mais trabalhar direito e minha esposa quase não dorme. Ela tem insônia praticamente toda noite. Falta sempre alguma coisa. Passamos o dia das mães sem nossa filha. É muito complicado, não tem como explicar”, resume, emocionado.

    Leia tudo sobre: engenheira patríciadesaparecimento

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG