Mãe se matricula em escola para acompanhar filha no Rio

Criança não quer voltar a estudar na escola Tasso da Silveira, após presenciar a morte da melhor amiga

AE |

selo

Pais, professores e psicólogos tiveram, nesta sexta-feira, durante reunião para preparar o retorno das atividades da Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, uma amostra da difícil tarefa de convencer os alunos a retomar a rotina. Muitos jovens matriculados no turno da manhã, que presenciaram o massacre ocorrido no dia 7 de abril, estão traumatizados e não querem voltar ao colégio.

Futura Press
Pais participam de reunião com professores e coordenadores da escola Tasso da Silveira. Muitos querem retirar os filhos do local

A escola marcou o retorno dos alunos do turno da tarde para a próxima segunda-feira, às 13h. O turno da manhã, formado por estudantes que presenciaram o ataque, só voltará às aulas no dia seguinte. A Guarda Municipal vai manter um agente na porta do colégio durante os três turnos, e um carro da Polícia Militar já está de guarda no local.

O medo das crianças alterou a rotina de várias famílias. A costureira Rosângela da Costa Cruz, de 46 anos, afirma que se matriculou na escola e voltará a estudar, a pedido da filha, Lorrainy Cruz, de 15 anos. A garota não aceita ir à escola sozinha, depois que viu a melhor amiga, Laryssa, ser assassinada pelo atirador Wellington Menezes.

Lorena Rocha, de 14 anos, não considera a hipótese de pisar na escola novamente. Suas primas, as gêmeas Bianca e Brenda, foram baleadas pelo atirador. A primeira morreu, e a segunda ficou ferida. A mãe de Lorena já conseguiu uma bolsa de estudos para a sobrevivente, em um colégio particular da região.

"Aqui não tem mais clima. Uma sobrinha minha está morta, e a outra levou dois tiros nas mãos e tem uma bala alojada na nuca. Não posso pedir para minha filha voltar", disse Perla Rocha, de 34 anos.

A vendedora Elisabeth Gomes do Nascimento, de 32 anos, esteve hoje no colégio para ouvir do psicólogo o que fazer com o filho Matheus Gomes do Nascimento, de dez anos. "Ele só dorme com a luz acesa e toma banho com uma vassoura escorando a porta, para não fechar. Ele diz que não quer sair, porque tem muita gente maluca no mundo", conta ela.

    Leia tudo sobre: massacreescolarealengocriançasaulas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG