Mãe diz em audiência que Joanna tinha medo do pai

Segundo a mãe, menina chorava muito quando visitava o pai, chegando até a vomitar na presença dele

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Cristiane Marcenal, mãe da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, prestou depoimento nesta segunda-feira na primeira Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) do processo em que o pai e madrasta são acusados de matar e torturar a menina no dia 13 de agosto de 2010. Ela contou que, todos os dias de visita do pai, André Rodrigues Marins, a menina chorava muito, chegando até a vomitar na presença dele. 

Cristiane afirmou que a criança dizia que não queria ir ao encontro com o pai e contou que ele gritava com Joanna e batia na cabeça dela. Tal fato, de acordo com a mãe, desenvolveu a síndrome do terror noturno na menina, que precisou de medicação para superá-la. A audiência é presidida pelo juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, titular do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. 

A mãe foi uma das testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público estadual e demonstrou receio em prestar depoimento na frente dos acusados, Marins e Vanessa Maia Furtado. O juiz pediu para o casal se retirar do plenário. 

Em seu depoimento, Cristiane alegou que Marins não estava presente no nascimento de Joanna, mas que a procurou para registrá-la. Ela contou que dias depois desta data o pai disse que não queria mais ver a criança, o que aconteceu até Cristiane entrar com uma ação de pedido de alimentos na comarca de Nova Iguaçu (RJ) em setembro de 2006, quando foram regulamentadas as visitas dele, que aconteciam esporadicamente. 

A depoente relatou ainda que a primeira vez que viu sinais de maus tratos em Joanna foi em outubro de 2007, após uma visita ao pai. Ela descreveu que a menina chegou com a roupa rasgada, um hematoma nas costas e arranhões pelo corpo. A mãe levou então a criança ao hospital e ao Instituto Médico Legal (IML)para fazer o exame de corpo de delito e, em seguida, à delegacia, onde fez o boletim de ocorrência. 

Após o ocorrido, Cristiane explicou que as visitas foram suspensas e liberadas novamente em janeiro de 2008. No entanto, segundo ela, Marins a procurou para ver Joanna somente em dezembro de 2009. 

Com a reversão da guarda da menina para o pai em maio de 2010, Cristiane contou que a entregou absolutamente saudável e disse que ficou sabendo de sua internação, no dia 19 de julho de 2010, por uma amiga do pai. Ao chegar ao hospital, ela descreveu que Joanna estava suja, com várias equimoses (manchas) pelo corpo, uma queimadura nas nádegas e outra, já em fase de cicatrização, na clavícula direita, além de estar com os pés e as mãos inchados. 

Ela conta ainda que, conforme o prontuário do hospital com informações dadas pelo pai, as marcas na menina teriam sido provocadas por uma crise convulsiva. Cristiane, que é médica, disse que isso não seria possível. A previsão é de que sejam ouvidas ainda hoje todas as testemunhas de acusação arroladas pelo MP.

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