Mãe da menina Joanna presta depoimento no Rio

"Não tinha dúvidas que minha filha sofria maus-tratos, mas não tinha a dimensão", disse Cristiane Ferraz

AE |

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Agência O Globo
Joanna Cardoso, em foto tirada pelo celular da mãe
Cristiane Ferraz, mãe da menina Joanna Marcenal, morta aos 5 anos, em agosto deste ano, prestou depoimento nesta terça-feira na audiência de instrução e julgamento da médica Sarita Fernandes Pereira, chefe da Pediatria da Clínica Sol e Mar, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Sarita é acusada de homicídio doloso por omissão na morte da criança. 

"Não tinha dúvidas que minha filha sofria maus tratos, mas não tinha a dimensão", disse Cristiane, após a audiência. Ela negou no 3º Tribunal do Júri que a filha sofresse convulsões, como alega o pai da criança André Rodrigues Marins, preso por homicídio e tortura nesta segunda-feira . A mãe confirmou que encontrou a filha no hospital em coma com hematomas, queimaduras e escoriações pelo corpo. 

Um perito médico legista do Ministério Público (MP), Sérgio Cunha, foi a primeira testemunha de acusação ouvida. Ele responsabilizou Sarita e o estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Souza, que atuava como médico na clínica e está foragido, pelo mau atendimento à Joanna. Os dois deram alta duas vezes à criança, que mais tarde foi internada em coma em outra clínica. 

O perito apontou que Joanna deveria ter ficado internada em observação, realizado exames e questionou os medicamentos receitados por Sarita e Souza. Além do homicídio, a dupla também responde por estelionato, falsificação de documentos, exercício ilegal da medicina e tráfico de entorpecentes por prescrever drogas sem autorização.

Briga pela guarda

Joanna morreu aos cinco anos de idade, no dia 13 de agosto, após ficar cerca de dois meses internada no Hospital Amiu, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Ela ficou em coma e tinha hematomas pelo corpo, além de marcas de aparentes queimaduras nas nádegas.

Quando deu entrada na unidade de saúde, a criança estava sob a responsabilidade do pai. André Rodrigues Marins disputava a guarda da menina, desde o seu nascimento, com a mãe dela, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz.

André conseguiu a autorização da Justiça pela guarda de Joanna após um processo em que alegava que a ex-mulher o impedia de ver a filha. Joanna deveria ficar com o pai por 90 dias, pois teria sido vítima por parte da mãe de alienação parental – quando um dos genitores difama o outro para o filho após a separação.

Em entrevista ao iG , no dia em que a criança morreu, a mãe de Joanna afirmou que a Justiça também foi responsável pela morte de sua filha . “O João Hélio foi morto porque um bandido o arrastou pelas ruas, a Isabella Nardoni porque o pai e a madrasta eram psicopatas, mas a minha filha foi morta pela Justiça que entregou a Joanna ao André que já tinha histórico de agressão”.

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