Livre da prisão, bicheiro Piruinha não pode deixar País e pagará R$ 100 mil

Contraventor de 83 anos não foi preso por ter passado chefia dos negócios ao filho, pela idade avançada e saúde supostamente frágil

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Agentes da Receita Federal autuam loja de carros na Barra da Tijuca, que seria de Haylton Escafura, filho de Piruinha
Mesmo sem ter sido preso na operação da Polícia Federal que desarticulou esquema de contrabando e lavagem de dinheiro, o contraventor José Caruzzo Escafura, o Piruinha, 83 anos, está proibido de sair do País e terá de pagar R$ 100 mil como fiança, além de ter tido sequestrados todos os bens adquiridos desde 2006.

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Patriarca da família ligada ao jogo do bicho e a máquinas de caça-níqueis, o bicheiro é pai de um dos dois líderes da quadrilha, Haylton Escafura - que teve a prisão decretada e é considerado foragido. Ao lado de Haylton, a quadrilha era comandada pelo israelense Yoram El Al .

A Justiça Federal, porém, optou por não decretar a prisão de Piruinha, por considerar que ele está aparentemente afastado do cotidiano da organização, tendo colocado Haylton em seu lugar.

Embora os investigadores o apontem como um dos chefes da organização criminosa do jogo e afirmem que ele ainda participa e lucra com a exploração dessa atividade, pesaram a idade avançada e a saúde de Piruinha contra a decretação da prisão.

As interceptações telefônicas demonstraram que, entre os investigados, havia preocupação constante com a saúde do bicheiro. A saúde supostamente debilitada fez a Justiça acreditar que ele não pretenda fugir.

Entretanto, como medida alternativa à prisão, a Justiça determinou que ele seja proibido de sair do País e de manter contato com outros investigados cujas prisões tenham sido decretadas.

A idade avançada e as condições de saúde, porém, também não impediram a Justiça de sequestrar todos os bens do bicheiro obtidos desde 2006. Aí estão incluídos os valores mantidos em contas bancárias, bolsa de valores ou instituições financeiras, carros, barcos e todo tipo de bens móveis e imóveis.

Seu Zé, como é chamado por moradores da zona norte do Rio, domina a contravenção em mais de dez bairros da região, e sua base é a Abolição, onde tem imóveis e uma antiga casa de shows, o Sambola Hall. É também na Abolição que ficam três dos quatro imóveis em seu nome que foram alvo de busca e apreensão na operação da Polícia Federal – o outro fica na Avenida Lúcio Costa, na orla da Barra da Tijuca, endereço de luxo no Rio.

Ele foi preso em 1993, com a cúpula do jogo do bicho, pela juíza criminal Denise Frossard, depois deputada federal pelo PPS.

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