Líder do Afroreggae chega ao Alemão para negociar rendições

José Júnior entrou rumo à favela da Grota; complexo está cercado pela polícia e pelo Exército

Anderson Ramos, especial para o iG |

Agência O Globo
José Júnior, líder do Afroreggae, chegou ao Complexo do Alemão para ajudar na mediação do confronto

O coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, chegou por volta do meio-dia deste sábado (27) ao complexo do Alemão, na zona norte do Rio, e ingressou na comunidade, que está cercado pela polícia e pelo Exército.

Ele entrou rumo à favela da Grota pela estrada do Itararé e não falou com a imprensa, mas teria ido, como mediador, tentar negociar a rendição dos traficantes.

A polícia aguarda o fim da negociação que José Júnior faz com os traficantes para determinar a invasão do complexo, caso os traficantes não admitam se entregar sem confronto.

Meia hora depois de chegar, José Júnior desceu e, acompanhado por três pessoas e um veículo militar blindado, subiu por outro acesso à mesma Grota. José Júnior foi muito aplaudido pelos moradores do complexo.

O comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, deu prazo até hoje para que os traficantes se entreguem, antes que a polícia ocupe a comunidade. Os criminosos devem se entregar em fila indiana, segurando as armas erguidas na altura da cabeça.

Um tanque modelo Cascavel, do Exército, já está posicionado na entrada da rua Joaquim de Queiroz, via do complexo do Alemão onde os criminosos devem se entregar. O blindado tem um canhão e uma metralhadora calibre ponto 50. Desde as 14h, o canhão está apontado para o interior do complexo.

Segundo a polícia, traficantes estão abandonando as armas e tentando fugir passando sem serem identificados pelo cerco promovido por policiais militares e soldados do Exército. Um rapaz condenado por furto, que estava foragido, foi preso quando tentava passar pela blitz.

O grupo cultural Afroreggae foi criado em 1993 com o objetivo de oferecer atividades educacionais e artísticas a jovens moradores de favelas. A organização não-governamental se instalou na favela de Vigário Geral, na zona norte, em setembro de 1983, um mês após uma chacina que vitimou 21 moradores da comunidade. Hoje a entidade oferece aos moradores da região oficinas de percussão, capoeira, reciclagem de lixo, vídeo e dança afro, entre outras.

Dois helicópteros do exercito estão fazendo sobrevoos no Alemão. A todo momento ouvem-se tiros vindos do interior da favela.

Cerca de 30 pessoas, com cartazes e faixas, fazem uma manifestação na rua Joaquim de Queiroz, na entrada da Grota, no Alemão. Segundo o líder do protesto, Rogério Almeida, de 30 anos, pediu o fim dos conflitos. “Nós precisamos de ações sociais e de saúde publica, não queremos guerra. Essas armas que nós estamos vendo aqui não são para o Alemão. Nós queremos paz”.

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