Laudo sobre morte de menina Joanna deve ficar pronto em um mês

Criança morreu na última sexta-feira (13), após ficar em coma por 26 dias

iG Rio de Janeiro |

O laudo para identificar as causas da morte da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, pode levar de 30 a 45 dias para ficar pronto, segundo informações do diretor do Instituto Médico Legal (IML), Frank Perlini. A criança morreu na última sexta-feira (13), após ficar internada em coma por 26 dias em uma clínica do Rio de Janeiro. A polícia investiga se a garota foi vítima de maus-tratos.

A necropsia no corpo da menina foi realizada no último sábado (14). Segundo o IML, para elaborar o laudo, os peritos avaliam os prontuários médicos, os antibióticos utilizados na paciente e se os exames realizados foram corretos. “Analisamos todos os procedimentos feitos para, assim, apontar possíveis erros”, informou Frank Perlini.

Buscas

Equipes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) realizam buscas nesta segunda-feira (16) para localizar o estudante do 5º período de Medicina, Alex Sandro da Cunha Silva, de 33 anos. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça na sexta-feira e ele é considerado foragido pela polícia.

Segundo investigações, Alex Sandro atuava como médico pediatra no Hospital RioMar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Joanna foi levada para a unidade, no dia 17 de julho, sofrendo convulsões, com hematomas nas pernas e marcas de queimaduras no tórax e nas nádegas. O falso médico teria receitado um medicamento anticonvulsivo e liberado a menina já desacordada.

Na manhã do último sábado (14), a polícia prendeu a médica Sarita Fernandes Pereira, coordenadora do setor de Pediatria do Hospital RioMar. Ela é suspeita de ter contratado o estudante de medicina.

De acordo com a Dcav, Alex Sandro e Sarita foram indiciados pelos crimes de falsidade ideológica, falsidade material, exercício ilegal da medicina com o agravante da paciente ter morrido, tráfico de drogas – devido à aplicação de um anticonvulsivo – e associação para o tráfico.

Entenda o caso

Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, era alvo de uma disputa judicial. A menina estava sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins, desde o dia 26 de maio.

Ele conseguiu a autorização da Justiça após um processo em que alegava que a ex-mulher, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, o impedia de ver a filha. Joanna deveria ficar com o pai por 90 dias, pois teria sido vítima por parte da mãe de alienação parental – quando um dos genitores difama o outro para o filho após a separação.

Sob a guarda do pai, Joanna deu entrada no Hospital RioMar – no dia  17 de julho – com quadro de convulsões, hematomas nas pernas e marcas de queimadura – aparentemente feita por cigarros – nas nádegas e no tórax. Após tomar um medicamento, a criança foi liberada desacordada.

Estranhando o fato de a filha não ter recobrado a consciência, André Marins levou a filha para o Hospital das Clínicas de Jacarepaguá e, de lá, seguiu em coma para a clínica Amiu, em Botafogo, na zona sul do Rio. A menina deu entrada na unidade no dia 19 de julho e morreu no dia 13 de agosto.

O delegado titular da Dcav, Luiz Henrique Marques, desmembrou o inquérito em dois para averiguar situações distintas: os supostos maus-tratos sofridos pela criança e a atuação do falso médico.

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