Laudo indica que menina adotada sofreu lesão leve

Procuradora aposentada é suspeita de agredir e torturar criança de dois anos adotada por ela

iG São Paulo |

O resultado do laudo do exame de corpo de delito feito pelo Instituto Médico Legal (IML) indica que a menina de 2 anos e nove meses, que teria sido agredida por sua mãe adotiva, a procuradora aposentada Vera Lúcia Sant'Anna Gomes, foi vítima de lesão corporal leve.

Segundo a delegada Monique Vidal, da 13ª Delegacia Policial, localizada em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, as investigações sobre a hipótese de tortura continuarão. Vera Lúcia, de 53 anos, é suspeita de ter agredido e torturado a menina que tinha sido adotada por ela em março. A procuradora nega as acusações.

Após denúncias, a criança foi encontrada pelo Conselho Tutelar, no último dia 14, com hematomas em todo o rosto, no apartamento de Vera Lúcia, em Ipanema. Segundo o conselheiro Heber Boscoli, que foi ao apartamento checar a denúncia, a procuradora não conseguiu explicar como a criança se feriu. "Todos se comoveram com a imagem da menina. O olho dela quase não abria. A procuradora disse que a menina era escandalosa e que só bateu nela uma vez, porque ela não queria entrar num táxi", disse o conselheiro, que foi à casa da procuradora acompanhado de uma juíza, de uma promotora, de uma psicóloga e uma assistente social.

Do amplo apartamento, no quarteirão da praia, a menina foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde foi atendida e levada de volta para o abrigo de onde foi adotada.

Segundo uma das quatro pessoas que fizeram a denúncia, a criança começou a ser agredida no primeiro dia após a adoção. "O pior dia foi na Semana Santa. A Vera não gostou de a menina ter virado o rosto para um amigo e bateu na menina o dia inteiro. Ela deu muito tapa no rostinho, na cabeça, nas costas. Esta menina sofreu muito. Era angustiante trabalhar vendo aquilo", contou uma ex-funcionária.

A Promotoria da Infância e Juventude ingressará com uma ação contra a procuradora pelo descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar ou do guardião. De acordo com a promotoria, a guarda da menina foi revogada e a certificação de Vera Lúcia junto ao Cadastro Nacional de Adoção foi cancelada. Para consegui-la, a procuradora passou por todos os trâmites e investigações exigidos no processo de adoção. O processo de certificação foi iniciado em 2004 e finalizado em 2008.

Defesa

O advogado Jair Leite Pereira negou que sua cliente tenha agredido ou torturado a criança. Perguntado sobre os hematomas, ele, inicialmente, informou que ela "poderia ter caído". "Ela pode ter caído", disse, amparado por uma voz feminina que falava alto, próximo ao advogado. "É, ela caiu. Minha cliente saiu para resolver coisas na rua e quando voltou a empregada disse que ela tinha caído e batido a cabeça na mesa", finalizou. Segundo Jair, a procuradora é uma pessoa de personalidade forte, mas que nunca se envolveu em atos de violência.

(*com informações da Agência Estado)

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