Laudo indica que disparos que atingiram ônibus sequestrado vieram de fora

Análise revela que coletivo foi alvejado por 14 tiros. Passageiros disseram que só policiais atiraram e bandidos não reagiram

Anderson Ramos, especial para o iG |

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Perito da Polícia Civil analisa marcas de tiros no ônibus sequestrado
Laudo preliminar elaborado por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) da Polícia Civil indicou a presença de 14 perfurações à bala no ônibus que foi sequestrado na noite de ontem (9) na avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, os disparos foram feitos de fora para dentro.

A perícia tem como objetivo identificar de onde partiram os disparos que deixaram cinco pessoas feridas . Em depoimento à polícia, os passageiros do ônibus relataram que nenhum tiro foi dado dentro do coletivo . De acordo com a delegada Gisele Rosemberg, as testemunhas disseram que os disparos tinham os pneus do veículo como alvo.

“Os assaltantes não atiraram de jeito nenhum. Os tiros vieram todos do lado de fora. Foi aterrorizante”, afirmou a camelô Mara dos Santos, que estava no ônibus.

Baleado na perna, de raspão, Josuel dos Santos Messias confirmou a versão. "Estava meio desligado, mas ouvi quando os caras anunciaram o assalto. Houve uma negociação rápida com a polícia e aí começaram os tiros de fora para dentro. Não vi nenhuma reação dos bandidos", disse ao iG.

Outra passageira do ônibus, Cátia Andrade, também afirmou que nenhum bandido revidou os tiros da polícia. Ela salientou que teve a impressão de que a PM atirou na intenção de parar o veículo, sem mirar o interior do ônibus. Ela conta que quando os tiros começaram, os passageiros se abaixaram no chão.

Sequestro

Passageiros relataram à polícia que quatro assaltantes armados e portando uma granada invadiram por volta das 20h de terça-feira (9) o ônibus da Viação Jurema que seguia para o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ocorrência teve início na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, na pista lateral sentido zona norte, próximo à Universidade Estácio de Sá.

Desconfiado com a presença dos assaltantes, o motorista teria parado o coletivo e descido dele para acionar policiais militares que estavam em frente à universidade. Ao entrarem no ônibus, os agentes acabaram sendo rendidos pelos criminosos e deixaram o coletivo para solicitar reforço.

Sem motorista no ônibus, um dos passageiros foi obrigado pelos assaltantes a conduzir o coletivo. A polícia montou bloqueios para evitar a fuga do ônibus, mas o coletivo continuou seguindo viagem. O veículo só parou após ter os pneus baleados.

Durante a ocorrência, dois dos quatro criminosos fugiram do veículo. Soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionados para negociar com os bandidos que permaneceram no veículo.

Durante a negociação, o passageiro Hélio Gomes da Motta Júnior, de 30 anos, que conduzia o ônibus, conseguiu se salvar pulando da janela do coletivo . Às 21h40, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que o sequestro tinha terminado com a prisão de dois bandidos e a apreensão de duas pistolas e uma granada.

Prisões

Os dois bandidos presos no centro do Rio após se renderem foram identificados como Bruno Silva Lima, de 19 anos, e Renato da Costa Júnior, de 21. Um deles possui anotações em sua ficha criminal e, o outro, um mandado de busca e apreensão contra ele.

Durante a madrugada desta quarta-feira (10), um dos assaltantes que tinha fugido do ônibus foi preso em um hospital em Copacabana , na zona sul do Rio. Após saltar no complexo de favelas de Manguinhos, ele seguiu para o Hospital São Lucas para pedir ajuda, pois estava baleado na perna.

Os funcionários da unidade suspeitaram do paciente e acionaram a polícia, que acabou identificando Jean Júnior da Costa Oliveira, de 21 anos. O quarto assaltante que também seguiu para Manguinhos ainda não foi localizado. O grupo vai responder por roubo triplamente qualificado, formação de quadrilha e receptação, visto que uma das armas apreendidas teria sido roubada e estava com a numeração raspada.

*com informações de Flávia Salme e Ana Cora Lima

Assista ao vídeo sobre o sequestro do ônibus:

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Sequestro de ônibus termina após uma hora de negociação

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