Laranjas do traficante Nem movimentaram R$ 2,4 milhões em contas em 3 anos

Entre os colaboradores do chefão da Rocinha estão a mãe e uma irmã da sua namorada, Danúbia Rangel

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Secretaria de Administração Penitenciária
Traficante Nem movimentava dinheiro do tráfico em 29 contas bancárias e em três firmas, segundo a polícia
Um inquérito da Polinter que apurou o crime de lavagem de dinheiro da quadrilha do chefe do tráfico na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem , revela que contas bancárias que estavam em nomes de cinco supostos laranjas do criminoso movimentaram ao menos R$ 2.400.926,88 entre 2008 e meados deste ano.

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Segundo as investigações, foram abertas ao menos 29 contas, sejam elas corrente, poupança ou de investimentos, em cinco instituições bancárias diferentes para movimentar o dinheiro do tráfico de drogas.

O inquérito já resultou em um processo que tramita na 29ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Entre os supostos laranjas de Nem citados no inquérito estão a mãe e uma irmã de Danúbia de Souza Rangel , namorada do traficante, e Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão , que é líder comunitário na Rocinha. Este último chegou a ser detido na última quarta-feira (16) na própria comunidade mas não ficou preso porque não havia mandado de prisão pendente.

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Três das contas foram abertas em agências localizadas dentro da própria Rocinha. As demais estão espalhadas pelos bairros do Leblon, Gávea e São Conrado, na zona sul, Centro, além de Bonsucesso, Ramos e Norte Shopping, na zona norte, e Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste.

A análise feita pelos agentes da Polinter revelam que os supostos laranjas movimentaram quantias incompatíveis com suas atividades profissionais. Um deles, que disse trabalhar como taxista e é irmão de Feijão, teve créditos e débitos em sua conta que somaram cerca de R$ 912 mil entre 2008 e meados deste ano. Somente em uma transação financeira, foi feito um depósito de R$ 57 mil.

Em relação a mãe de Danúbia, Maria das Graças, que trabalhava com transporte alternativo, houve uma movimentação de R$ 122.486,15 entre 2009 e este ano. Mesmo sem possuir carteira de habilitação, ela teve ainda um Ecosport registrado em seu nome. O carro, adquirido por R$ 50 mil, foi um presente de Nem à sua filha.

Cléber Júnior/Agência O Globo
Favela da Rocinha foi ocupada pela polícia no último domingo
Empresas

De acordo com as investigações da Polinter, a quadrilha de Nem usou ainda três empresas para lavar o dinheiro. Duas delas, uma loja de peças de acessórios para carro e uma distribuidora de gelo, estariam em nome do líder comunitário Feijão. A outra, uma casa de festas na Rocinha, está em nome da mãe e de uma irmã de Danúbia.

Segundo o inquérito, a loja de acessórios para veículos apresentou rendimentos incompatíveis com a atividade. Aberta em agosto de 2008 com um capital inicial de R$ 20 mil, a empresa teve receita de R$ 344 mil só no ano passado, de acordo com a polícia.

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As investigações indicam ainda que a distribuidora de gelo foi aberta com um capital de R$ 300 mil, o que levantou a suspeita dos policiais de que a empresa seria usada para lavagem de dinheiro

O inquérito revela ainda que, com o dinheiro do tráfico de drogas, a quadrilha comprou um caminhão Mercedes no valor de R$ 80 mil. O veículo também consta em nome de um dos supostos laranjas.

A polícia também investigou a aquisição de um apartamento localizado na rua São Clemente, em Botafogo, na zona sul por cerca de R$ 300 mil, por um dos supostos laranjas do grupo de Nem. No entanto, ainda nada ficou provado se há relação com o dinheiro do tráfico de drogas.

Em um outro inquérito da Polinter, aberto em 2009, os policiais já haviam identificado outras empresas que seriam usadas para lavar o dinheiro da quadrilha de Nem. Entre as firmas, uma loja de informática, uma gráfica, dois restaurantes e uma loteria com banca de jornais. Essas empresas tinham telefones celulares em seus respectivos nomes e um dos aparelhos era usado por Danúbia Rangel.


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