Justiça solta três presos de máfia, com fianças de R$ 1,8 milhão

Quatro outros integrantes da quadrilha que contrabandeava carros e lavava dinheiro da contravenção tiveram prisão mantida

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Loja de revenda de carros onde eram vendidos automóveis contrabandeados pela quadrilha
A Justiça Federal determinou nesta segunda-feira a soltura de três pessoas e manteve na cadeia quatro dos presos na Operação “Black Ops” , da Polícia Federal, contra o contrabando, contravenção e lavagem de dinheiro. A ação conjunta com a Receita Federal desarticulou uma quadrilha que uniu uma máfia israelense ao jogo do bicho e máquinas de caça-níqueis do Rio. Os três são os primeiros a ser soltos desde a operação.

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Foi a própria Justiça, que determinara a prisão de 22 pessoas por envolvimento no esquema, que considerou não haver elementos para manter Marco Aurélio dos Santos Borba, Wagner Roseira e José Mauro Saint Juste Kalife na prisão, onde estão desde o dia 7. As duas decisões tiveram juízes diferentes da 3ª Vara Criminal Federal, do Rio.

A soltura dos três, porém, é condicionada ao pagamento de fianças vultosas – a soma das três chega a R$ 1,8 milhão. A Justiça adverte os presos que não admitirá rever o valor fixado.

Para serem liberados, além de pagarem a fiança, os três também precisam assumir o compromisso de entregar o passaporte, não sair do País, ir ao juízo a cada 15 dias, suspender qualquer atividade econômica relacionada ao comércio exterior e não se comunicar com os outros citados no processo, sob pena de serem novamente presos.

A Justiça impôs a fiança de R$ 800 mil a Borba, suspeito de ser “contrabandista contumaz, com desenvoltura e habilidade para negociar” a compra internacional e ilegal carros, de acordo com o Ministério Público Federal. O valor quase milionário deve ser pago em 24 horas e foi determinado levando em consideração que Borba fez negociações que variaram de R$ 105 mil a R$ 6,5 milhões.

Segundo a Justiça, “é inequívoco que existem indícios plausíveis de autoria das infrações” de Borba na importação ilegal de carros, em valores vultosos, de até R$ 3 milhões, individualmente. Ele atuaria como uma espécie de gerente financeiro da organização criminosa que contrabandeava carros usados, como se fossem novos, e os vendiam abaixo do valor de mercado, para lavar dinheiro.

Borba se apresentou espontaneamente à PF após voltar de viagem internacional, o que, para a Justiça, demonstrou que não pretende fugir. Ele informou ter interesse em cooperar com as investigações. De acordo com a decisão, não há indícios suficientes de que ele possa atrapalhar o processo e a fundamentação do Ministério Público não justifica sua manutenção na prisão.

Wagner Roseira e José Mauro Kalife também são suspeitos de ter trazido carros contrabandeados para o Brasil, associados à Euro Imported Cars, do contraventor Haylton Escafura. Ao lado de Yoram El Al , preso, Hailton - que continua foragido - é considerado o líder do bando.

Reprodução
Yoram El Al tinha alerta de difusão vermelha da Interpol a pedido do Uruguai e dos EUA
De acordo com a Justiça, há “prova da materialidade do crime e robustos indícios” da participação dos dois no esquema, porém, o juízo não considera necessário manter a prisão cautelar, destinada a impedir a ocultação de vestígios de crime e impossibilitar a continuidade dos delitos. Por isso, a prisão de Roseira e Kalife foi considerada “desnecessária”. Apesar disso, ambos precisam pagar, em 24 horas, R$ 500 mil cada, como fiança.

A Justiça Federal negou a soltura de quatro outros presos no mesmo dia: Pedro e Adriano Scopel, acusados de contrabando – que já tinham sido presos em 2008, pelo mesmo crime – e de Ana Carolina Blaso da Silva e do companheiro, Marcelo Lima Pereira.

Os dois atuavam como espécie de gerentes operacionais da quadrillha dos contraventores Haylton, foragido, e José Caruzzo Escafura, o Piruinha - patriarca da família contraventora -, que pagou fiança de R$ 100 mil para não ser preso.

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