Julgamento de viúva do milionário da Mega-Sena é adiado para novembro

Advogado de Adriana Almeida alega ter AVC e pede adiamento

iG Rio de Janeiro |

Marcado para começar nesta terça-feira (4), o julgamento de Adriana Ferreira de Almeida, de 34 anos, acusada de mandar matar o ex-marido, o milionário Renné Senna, ganhador de R$ 51,8 milhões na Mega-Sena, só será iniciado no dia 28 de novembro.

Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o advogado de Adriana, Jackson Costa Rodrigues, apresentou um atestado médico válido por 40 dias que informa que ele sofreria de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Com isso, houve o adiamento.

No júri, também vão ser julgadas outras três pessoas envolvidas no caso: os PMs Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral de Oliveira e a professora de educação física Janaína Silva de Oliveira.

O assassinato de Renné Sena ocorreu no dia 7 de janeiro de 2007 no município de Rio Bonito, no interior do Estado do Rio de Janeiro. O milionário estava em um bar com amigos na localidade de Lavras quando dois homens chegaram a bordo de uma moto e dispararam contra ele.

Ex-seguranças da vítima, o ex-funcionário público Ednei Gonçalves Pereira e o ex-PM Anderson Silva de Sousa foram condenados em julho de 2009 a 18 anos de prisão pelo crime. De acordo com a sentença, Anderson teria feito os disparos e Ednei pilotado a moto.

Adriana, Marco Antônio, Ronaldo e Janaína (mulher de Anderson) são acusados de terem participado do planejamento do assassinato. Os quatro suspeitos aguardam o julgamento em liberdade.

A juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara da Comarca de Rio Bonito, determinou que o advogado Jackson Costa indique outro advogado para representar a ré, caso ele não esteja restabelecido até a nova data de julgamento. Se a defesa não cumprir a determinação, Adriana Ferreira será representada pela Defensoria Pública.

“Em que pese a gravidade da enfermidade ora noticiada e até mesmo em função de tal fato, há de se considerar que o adiamento ora requerido se mostra extremamente prejudicial ao andamento do processo que, vale dizer, diz respeito a crime de homicídio qualificado perpetrado em 7 de janeiro de 2007, tendo transcorrido mais de quatro anos desde a referida data, sem que tenha sido possível a realização da sessão plenária de julgamento de quatro dos réus pronunciados. Não se afigura minimamente razoável o longo prazo transcorrido desde o assassinato da vítima Renné Senna, sem que tenha havido o necessário julgamento de quatro dos réus, valendo ressaltar que o julgamento pelo Tribunal do Júri de pessoas acusadas por delitos que atentem contra a vida constitui uma garantia constitucional do próprio réu, não sendo possível, portanto, adiamentos sucessivos”, ressaltou a magistrada.

Relembre o crime

Renné Senna ganhou sozinho em julho de 2005 o prêmio de R$ 51,8 milhões da Mega-Sena. Até então, ele vendia doces na beira da estrada. Cinco meses depois de virar milionário, Renné começou a ter um relacionamento com a cabeleireira Adriana Ferreira de Almeida.

Segundo parentes de Renné, com o passar do tempo, ela teria passado a cuidar das finanças do casal. Em outubro de 2006, o milionário teria incluído a mulher em seu testamento, deixando ela e sua filha, Renata Sena, como suas únicas herdeiras.

Segundo investigações da Polícia Civil, em dezembro do mesmo ano, Adriana comprou uma cobertura de R$ 300 mil no município de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Estado do Rio, sem consultar Renné. Ao saber do fato, o milionário teria ficado descontente e discutido com ela.

Em janeiro de 2007, Renné estava em um bar com amigo quando foi atingido por quatro tiros. A vítima estava a bordo do quadriciclo que utilizava para se movimentar. O milionário era diabético e tinha as duas pernas amputadas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o crime foi encomendado por Adriana. A ex- cabeleireira teria oferecido recompensa a cinco pessoas para que elas planejassem e executassem o assassinato. Entre os motivos, estaria o fato de ela ter descoberto que Renné iria terminar o relacionamento amoroso dos dois e excluí-la de seu testamento.

Adriana chegou a ser presa dias depois do crime, mas seus advogados conseguiram um habeas corpus para soltá-la. Se for condenada, a herança de Renné Sena, avaliada em aproximadamente R$ 70 milhões ficará integralmente para sua filha. Atualmente, a quantia está bloqueada pela Justiça.

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