Juíza sabia que tenente-coronel planejava matá-la, diz promotor

Declaração foi feita durante audiência na Justiça por promotor que trabalhava com Patrícia Acioli

Agência Brasil |

MARCOS DE PAULA/AGÊNCIA ESTADO/AE
Cartaz na Praia de Icaraí questiona a morte da juíza Patrícia Lourival Acioli
A juíza Patrícia Acioli tinha informações de que o tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, planejava matá-la.

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A afirmação foi feita nesta quarta-feira (9) pelo promotor Paulo Roberto Cunha durante audiência na 3ª Vara Criminal de Niterói. Ele trabalhava na mesma vara que a juíza, a 4ª Criminal de São Gonçalo. Acioli foi assassinada no dia 11 de agosto. Cláudio Luiz está preso acusado de ser o mandante do crime.

Segundo o promotor, a juíza disse a ele que as informações sobre o suposto plano para matá-la haviam chegada por intermédio de um inspetor da Polícia Civil, de um inspetor penitenciário e por comentários feitos dentro do próprio Batalhão da PM em São Gonçalo.

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De acordo com Cunha, a juíza temia por sua vida, mas resolveu não comunicar as ameaças ao Tribunal de Justiça porque não tinha nenhuma prova concreta. O coronel Cláudio Luiz, disse o promotor, tinha tido uma briga com a juíza há 20 anos e não colaborava com a iniciativa do Ministério Público de reduzir as mortes cometidas pela polícia. Patricia Acioli era conhecida por condenar policiais acusados de homicídio em São Gonçalo.

O promotor foi a primeira das testemunhas de acusação a serem ouvidas nas audiências sobre a execução da juíza, iniciadas hoje e que devem durar seis dias. Outra testemunha ouvida hoje foi a promotora Ana Beatriz, que começou a trabalhar em São Gonçalo no início deste ano.

Ana Beatriz disse que, em uma ocasião, Patrícia Acioli comentou que o coronel Claudio Luiz estava “mandando recados a ela”. De acordo com a promotora, a juíza não deixou claro se os “recados” seriam ameaças de morte.

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O titular da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, Felipe Ettore, responsável pelas investigações sobre o assassinato da juíza, também foi ouvido. Ele contou que chegou aos suspeitos por meio de interceptações telefônicas e de imagens de câmeras de trânsito.

Segundo Ettore, dois dos 11 suspeitos resolveram colaborar com as investigações e recorreram à delação premiada. O cabo Sérgio Costa Júnior, identificado pelas imagens, contou que seu grupo, formado por dez policiais, resolveu matar a juíza a partir de uma ideia do tenente Daniel Benitez. Conforme o cabo, eles integravam um grupamento de ações táticas do Batalhão de São Gonçalo, que se envolvia em extorsões, roubos de objetos pertencentes a bandidos e autos de resistência (morte cometida por policial supostamente em confronto com criminosos).

Eles decidiram matar a juíza porque, com sua linha dura contra os desvios de conduta policiais, ela estava prejudicando os negócios ilícitos da quadrilha. Além disso, Patrícia Acioli mandou prender três colegas deles, depois de um caso de auto de resistência.

Outro acusado de participação no assassinato da juíza que recorreu à delação premiada foi Jeferson de Araújo Miranda. Ele disse que, diante da ideia de matar Patrícia Acioli, o tenente Benitez pediu autorização ao coronel Claudio Luiz. Segundo Jeferson, o coronel consentiu com o crime.

Antes da audiência, a defesa de Claudio Luiz disse que as únicas provas existentes contra seu cliente são os depoimentos dos dois policiais que recorreram à delação premiada.

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