Juiz baleado em blitz divulga carta

Segundo magistrado, tiros foram disparados por policiais civis

iG Rio de Janeiro |

“Nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes”, disse o juiz federal do trabalho Marcelo Alexandrino Santos, em carta.

O magistrado, que foi baleado durante uma blitz policial junto com o filho e a enteada, de 11 e 8 anos respectivamente, na zona oeste do Rio de Janeiro, na noite do último sábado, continua internado no Hospital Pasteur, na zona norte do Rio. No texto, divulgado pela assessoria do hospital, o juiz afirma que foram os policiais os autores dos disparos.

As crianças também seguem internadas no CTI pediátrico do Hospital Cardoso Fontes, na zona oeste da cidade, em estado grave, apesar de já respirarem sem auxílio de aparelhos.

Na tarde desta terça-feira (5), os seis policiais civis que participaram da blitz prestaram depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, e afirmaram que trocaram tiros com supostos criminosos que estavam em um carro preto, perto do veículo onde estavam o juiz e as crianças.


Confira a íntegra da carta escrita pelo juiz:

“Às milhões de pessoas que, no Brasil e no mundo, têm-nos enviado mensagens e pensamentos de preocupação, carinho e solidariedade:

Eu e toda a minha família, do fundo de nossos corações, agradecemo-lhes e pedimos que continuem orando e nos enviando vibrações positivas, pois, apesar da distância, a tremenda energia que acompanha seus pensamentos nos tem ajudado a seguir em frente, vencendo a cada dia uma nova batalha contra todo o sofrimento físico, emocional, mental e espiritual que temos atravessado.

Todos os dias e em todas as horas, o planeta assiste às mais variadas violações dos Direitos Humanos. Porém, nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe.

Já é passado o momento da mudança. Já não se deve mais aceitar o inaceitável. Já não se pode mais observar a violência e o mau exercício da autoridade pública como convidados bem-vindos a nossas vidas.

Portanto, que essa vibração positiva que nos tem sido enviada se estenda também a todos os seres humanos, a fim de que, da criação de espaços de resistência, onde impere a dignidade, possa nascer uma sociedade verdadeiramente livre, justa e igualitária.

Por fim, não podemos deixar de registrar nossa gratidão a todos os profissionais dos hospitais em que estamos internados. Sua dedicação é confortante e nos inspira a confiança em um amanhã sempre melhor.

Mais uma vez, muito obrigado. Marcelo Alexandrino da Costa Santos e família”.

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