Jovem que acusa Exército de tortura aponta dois militares como suspeitos

Rapaz disse que foi agredido na favela Vila Cruzeiro. Apesar de indicar possíveis autores, afirmou não ter certeza

Agência Brasil |

O estudante Thiago da Silva, de 22 anos, voltou a dizer nesta quarta-feira (14) que foi torturado por militares da Força de Pacificação do Exército na madrugada do último sábado (10), na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. À tarde ele participou de uma sessão de reconhecimento com 32 militares, na base da Força de Pacificação, no Complexo do Alemão, e apontou dois possíveis suspeitos, mas sem dar certeza.

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Segundo ainda reportagem do jornal O Dia, o jovem contou no final da tarde de hoje ter sido intimidado por um grupo de 10 militares na noite de ontem, ao voltar para casa, na Vila Cruzeiro. De acordo com ele, os soldados fizeram uma revista e, ao encontrar o dinheiro que ele portava, indagaram sobre a origem da quantia, já que o jovem não trabalha.

Thiago prestou novo depoimento na 22ª Delegacia de Polícia, na Penha, e contou detalhes de como foi abordado por militares que perguntavam sobre o seu envolvimento com traficantes.

Ele contou que foi levado deitado dentro de uma viatura até um matagal, onde foi amarrado em uma árvore, com o uso de uma algema e de um lacre plástico. "Falaram que eu ia ter que dar conta dos traficantes e onde era o esconderijo de drogas. Eu falei que não sabia de nada, que era morador. Eles falaram que eu ia contar tudo para eles. Que eu era olheiro do tráfico."

Segundo o jovem, os militares o torturaram com choque elétrico e uso de spray de gás de pimenta por quase duas horas. Ao puxarem com mais força a algema, os militares teriam quebrado o seu braço direito. Foi quando o liberaram e conseguiu fugir. "Pedi que me soltassem, que meu braço estava quebrado. Foi quando consegui correr e desci um barranco rolando. Cheguei em um local que tinha uns trabalhadores, pedi ajuda, um rapaz veio de moto e me deixou em um posto de gasolina. Tinha um mototaxista abastecendo e me levou para a Vila Cruzeiro, onde um amigo me levou para o Hospital Getúlio Vargas."

O chefe de comunicação da Força de Pacificação, coronel Fernando Fantazzini, disse que já foi aberto um inquérito policial militar (IPM) para investigar a denúncia. Segundo ele, se for comprovado o crime, os militares envolvidos poderão ser expulsos do Exército. O oficial disse que a corporação tem total interesse em esclarecer os fatos.

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