Jovem ajuda a hastear bandeira na Rocinha, mas desconfia da paz

Vivian do Nascimento, de 18 anos, diz que “vai esperar um mês para ver se vai melhorar”

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

A cobradora de vans Vivian do Nascimento, de 18 anos, ajudou a hastear a bandeira do Brasil durante a ocupação da favela da Rocinha , na zona sul do Rio de Janeiro, mas ainda vê com desconfiança o processo de pacificação na comunidade.

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"Quero ver o que vai acontecer. Vamos esperar um mês para ver se vai melhorar", afirmou. Vivian disse a violência não é o principal problema da favela. "A UPA não funciona, não tem remédio", reclama.

A jovem afirmou esperar que, com o policiamento reforçado, a população seja respeitada. "Espero que nossos maridos não sejam sempre revistados", explica.

Traficantes na favela

Outro morador antigo da favela que não quis se identificar passou relatos à BBC Brasil sobre a situação na Rocinha. Segundo PJ, a ocupação foi tranquila. "Estávamos apreensivos, sem saber o que ia ocorrer. Ontem as pessoas estavam fazendo filas nos mercados, comprando mantimentos para ficar em casa hoje, num clima quase de guerra. Mas foi tranquilo, não teve tiro, não teve barulho de tiro". 

PJ diz que a TV clandestina usada por moradores acabou, deixando muita gente sem televisão e tendo que se informar pela internet.

Fabrizia Granatieri
Doméstica Sílvia Maria da Silva disse ter ficado tensa nos dias anteriores à ocupação da Rocinha
Segundo ele, a comunidade está unida, a favor da ocupação, mas ainda existe gente do tráfico dentro na favela. "É aquele lance que eu falo: só acredito na pacificação mesmo quando não tiver mais essa gente aqui dentro. Enquanto elas estiverem aqui dentro, vamos ficar ansiosos, porque ninguém sai do tráfico de uma hora para outra. Então a gente fica meio com receio".

Mais otimista, a empregada doméstica Sílvia Maria da Silva, de 31 anos, contou nesse domingo que na Rocinha havia muitas drogas e bandidos e, com a pacificação, vai ficar melhor. Ela disse ter ficado tensa nos dias anteriores à ocupação policial.

"Eu fiquei nervosa, achava que poderia ocorrer uma guerra", afirmou ela, que mora há cinco anos na comunidade após ter se mudado de Pernambuco para o Rio de Janeiro.

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